Jornal de Notícias de Portugal denuncia que, embora a lei não permita, terras indígenas e áreas de floresta da Amazónia estão sendo vendidas ilegalmente no Facebook. Algumas áreas à venda são o equivalente a mais de mil campos de futebol.

Segundo uma investigação da BBC, “pessoas invadem e desmatam ilegalmente partes da floresta e depois anunciam no Facebook em busca de compradores”.

O Facebook Marketplace tem sido a ferramenta escolhida para proceder às vendas ilegais dos terrenos. Algumas palavras-chave como “floresta”, “selva nativa” e “madeira” são suficientes para encontrar um dos lotes.

“Floresta pronta para agricultura” é o título de um dos anúncios com uma área equivalente a 1600 campos de futebol. Contudo, e contrariando o anúncio, 98,6% da área estava coberta por vegetação, algo que o corretor do terreno, Alcimar Araújo da Silva, resolveu prontamente. Sem saber que estava perante um investigador da BBC e a ser filmado, sugeriu desmatar metade do terreno, o que constituiria uma irregularidade. De acordo com o Código Florestal, os donos de terras na Amazónia têm de preservar pelo menos 80% das suas propriedades. Questionado sobre a irregularidade, disse que o presidente Bolsonaro não se iria importar com “o empecilho do meio ambiente e com os índios”.

Grande parte dos anúncios são da Rondônia, região oeste do Brasil, também conhecido por ser o estado mais desflorestado do país. No âmbito da investigação da BBC, foi organizada uma reunião com quatro vendedores e um advogado infiltrado que se fazia passar por representante de grandes investidores. Um dos homens, Alvim Souza Alves, tentou vender um terreno de reserva indígena, Uru Eu Wau Wau, equivalente a 57 campos de futebol e lar de uma comunidade de mais de 200 pessoas. Preço: cerca de 19 mil euros. Contudo, Alvim Souza Alves garantiu que “lá não existiam índios”, tirando “uma vez ou outra que por lá passavam”.

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(Jornal de Notícias, Portugal) bit.ly/3pXN6CN