Há 20 anos atrás Nion também encerrava seu último mandato sem participar do processo eleitoral.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

No ano 2000, Nion Albernaz (PSDB) encerrava a sua última administração na prefeitura de Goiânia. Ele foi “prefeito biônico” (nomeado pelo governador). entre 1983-1985 e depois seria eleito duas vezes, a primeira para o mandato de 1989-1992 e a última para governar o quadriênio 1997-2000.
Assim como acontece agora com o prefeito Iris Rezende (MDB), Nion Albernaz não participou da campanha do sucessor. Preferiu o recolhimento. A diferença de Iris é que Nion queria escolher o sucessor, mas não conseguiu.

No último ano de seu mandato, Nion Albernaz tinha preferência clara sobre quem gostaria para sucedê-lo, e o escolhido era o então secretário de Governo, Olier Alves (PSDB). Conhecedor da máquina administrativa e com influência sobre as lideranças comunitárias, Olier era o nome natural. Mas na convenção do PSDB prevaleceu o nome da então deputada federal Lúcia Vânia (PSDB). Nas eleições de 1996, Lúcia, que na ocasião estava no PP, apoiou a eleição de Nion, que foi fruto da união de várias forças da oposição de centro-direita, que estavam desunidas desde a eleição de 1994, quando Ronaldo Caiado disputando pelo PFL e Lúcia Vânia pelo PP, perderam a eleição para o governo do Estado para Maguito Vilela (PMDB).

Lúcia venceu a convenção, mas não conquistou a simpatia de Nion Albernaz, que preferiu cuidar do encerramento de sua administração a se envolver no processo eleitoral. Esta decisão teve um preço e Lúcia terminou em terceiro lugar na disputa, que levou para o segundo turno o deputado federal Pedro Wilson (PT) contra o ex-prefeito Darci Accorsi (PTB), com a vitória final para o petista.

Vinte anos depois Iris Rezende faz o mesmo, eximindo-se de participar do processo eleitoral.

A diferença de Iris para Nion é que no ano 2000 ainda não havia reeleição para prefeito, se houvesse, provalmente Nion teria sido candidato, com grandes chances de reeleição.

A exemplo de Nion, Iris também tinha no secretário de Governo o seu sucessor: Paulo Ortegal seria o vice, caso Iris topasse disputar a reeleição. Mas Iris não quis concorrer ao quinto mandato. Os motivos podem ter sido a idade, a pandemia do covid19, os apelos da família, a aspiração de terminar a carreira com alta popularidade? Quem sabe responder a estes questionamentos é o próprio Iris.

Equidistância

Ontem, em O Popular, ao ser perguntado pela repórter Karla Araújo se participaria do processo sucessório o prefeito declarou:

“Se você tivesse ouvido as minhas declarações há algum tempo, você não estria fazendo essa pergunta. Eu estou completamente equidistante do processo político. Falei isso muitas vezes e não sou pessoa que fica conversando fiado. Não estou participando e não participarei. Então não tem subterfúgio, não tem jogada, não tem nada. Estou isento e equidistante. Não vou participar. Cabe ao povo escolher o melhor”, resumiu Iris.

Iris retomou a agenda de inauguração de obras com a entrega do CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Residencial Jardins do Cerrado IV, a pavimentação asfáltica do Jardins Cerrado IV, uma praça poliesportiva no Jardins Cerrado III, além de visitar a construção de praças no Cerrado II e no Jardim Guanabara Ele reafirmou seu compromisso de entregar todas as obras em andamento: “Se ficar alguns serão pouquíssimas”, disse.
Além das obras, Iris também tem atuado na esfera administrativa política e institucional. Negociou com a Câmara Municipal a retirada da pauta da votação do Plano Diretor. Com esta iniciativa, a discussão do planejamento da Capital ficar para o próximo prefeito.

Eleição aberta

Desde o início da redemocratização em 1982, quando foi eleito governador, Iris Rezende exerceu direta ou indiretamente influência em Goiânia, seja na polêmica eleição de 1985, que dava vitória para Darci Accorsi, do PT, mas após uma estranha paralisação no processo de apuração, o vencedor foi Daniel Antônio (PMDB). De 2004 para cá, quando elegeu para o segundo dos seus quatro mandatos, Iris ampliou ainda mais esta influência. Por isto sua ausência do processo político “zera” as eleições, ou seja, torna este pleito um campo aberto.

Entrevistado pelo jornalista Caio Henrique Salgado, da Coluna Giro, de O Popular, o Diretor do Instituto Serpes, Bráulio Martines, atribuiu a ausência de Iris o elevado número de indecisos na pesquisa espontânea: 53,9% “Com Iris desistindo o pessoal ficou indeciso realmente. Dificultou muita gente tomar partido”, acredita. Braulio também crê que a pesquisa espontânea, que mostra os principais candidatos embolados – Vanderlan Cardoso (9,2%), Adriana Accorsi (8,2%) e Maguito Vilela (6%) -, é o termômetro fiel do pleito neste momento.

Sem Nion, as eleições do ano 2000 tiveram um resultado surpreendente. Sem Iris, como terminará o pleito de 2020?