Para militância emedebista esta seria a chapa ideal, que viabilizaria inclusive projetos futuros do partido para o Estado e para a Capital.

 

Marcus Vinícius

Quem gosta de futebol tem na memória grandes duplas que foram vitoriosas nas quatro linhas. Pelé e Coutinho no Santos, Pelé e Garrincha na Seleção Brasileira, Maradona  e Careca no Nápoli, o “Casal 20” Assis e Washington no Fluminense e por aí vai.

Na política não é tão simples quanto no futebol, onde dois talentos em campo fazem a diferença. Na política, nem tudo se resolve nas quatro linhas, mas, principalmente, nos bastidores. Antônio Carlos Magalhães, o Toinho Malvadeza, reinou por décadas na Bahia elegendo governadores de sua agremiação política, a época o PFL, enquanto ocupava em Brasília cargos de importância, seja como mnistro das Comunicações ou como presidente do Senado. Em Goiás o irismo, e depois o marconismo, também  são demonstrações de como lideranças fortes podem determinar o jogo político.

As eleições do ano que vem já começam a povoar o imaginário político e popular. Já está na boca do povo candidaturas que consideram-se com grande potencial de vitória. É o que se espera de Antônio Gomide (PT) em Anápolis, de Gustavo Mendanha (MDB) em Aparecida e de Iris Rezende (MDB) em Goiânia.  Destes três, a possível candidatura de Iris é mais emblemática.

Iris retomou o seu estilo de “tocador de obras” e cercou Goiânia de investimentos em mobilidade urbana, com as obras do BRT Norte-Sul, e o prolongamento da Marginal Botafogo. O trânsito nestes dias está caótico, enervando motoristas, que reclamam que todas estas invervenções foram feitas ao mesmo tempo. Mas, como bem diz o slogan que já foi usado pelo prefeito Nion Albernaz (PSDB): “os transtornos passam, as obras ficam”.

Aos 86 anos Iris mostra mais vigor do que muitos políticos da atualidade, e tem dado lições naqueles que preferem falar mal do passado e passam os dias demonizando inimigos ideológicos ao invés de pôr a mão na massa.

Tudo indica que o líder emedebista será candidato à reeleição. Seja pela energia com que se põe no lançamento e vistoria de obras, ou na vivacidade com que participa dos mutirões. Quem o acompanha de perto nestes contatos diretos com a população afirma que “Iris rejuvenesce no contato com o povo”.

E é nestes  mutirões que a militância emedebista – seja ela irista, maguitista, ou simplemente governista -, confabula sobre o presente e o futuro. Para muitos emedebistas a dupla Iris e Maguito é imbatível numa virtual chapa em 2020.  Neste exercício de futurologia, emedebistas da nova e da velha guarda avaliam um cenário onde Iris se desincompatibilizaria em 2022 para ser candidato ao Senado, encerrando com chave de ouro seu ciclo político.  Maguito, por sua vez,  exerceria o mandato, podendo ser candidato à reeleição, perenizando o ciclo emedebista no Paço Municipal.

A aliança entre Iris e Maguito já se mostrou vitoriosa em outros pleitos, como em 1990, quando Iris foi candidato ao governo do Estado e teve Maguito como vice; ou em 1994, com Maguito eleito governador e Iris, senador. Se em 1998 Maguito tivesse concorrido à reeleição, provavelmente a era emedebista teria sido esticada até pelo menos 2002. Mas a política é o local no espaço-tempo onde correções de rumos são permitidas, e aquilo que não foi visto numa época, pode ser revisto noutra.

Grandes homens da política brasileira exerceram cargos em idade provecta, dentre eles Tancredo Neves,  Ulysses Guimarães, Miguel Arraes. Ao seu tempo, cada um destes trouxe contribibuições importantes para o ordenamento político brasileiro. Tancredo rompeu o ciclo ditatoral liderando a vitoriosa campanha Diretas Já. Ulysses legou ao país a Constituição de 1988 e Arraes pôs fim às oligarquias escravocratas que dominavam a política no Pernambuco, abrindo caminho para que o mesmo fosse feito em outros estados do Nordeste.

Iris é um dos últimos nomes da geração de combatentes pela democracia. Sua experiência ainda pode ser útil ao país, principalmente nestes dias em que certos governantes só tem merda na cabeça.