Prefeito trabalha como quem está pensando em mais quatro anos e não apenas em concluir a administração.

Marcus Vinícius

O prefeito Iris Rezende (MDB) caminha passo, por passo, para consolidar sua candidatura à reeleição. Embora não confirme, ele nega cada vez menos esta possibilidade. Na política um pingo é letra.

Iris aplaina o terreno. Sinaliza. O empresariado reagiu ao decreto estadual de ampliação do isolamento social. Nesta semana, Iris se reuniu com o governador Ronaldo Caiado (DEM) e articulou nova reabertura, que será feita nos moldes definidos pelo Paço Municipal.

A desistência do senador Vanderlan Cardoso (PSD) em favor do deputado federal Francisco Júnior (PSD) foi bem recebida no ninho irista.  Vanderlan era considerado um adversário mais difícil de ser batido. Não se trata de subestimar Francisco Jr., mas de reconhecer que Vanderlan cresceu politicamente, desde que foi ao segundo turno com Iris nas eleições de 2016, e, logo a seguir, venceu o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), tomando-lhe a cadeira no Senado.

O PT da deputada estadual Adriana Accorsi já botou o bloco na rua. Adriana tem uma herança valiosa. É filha do saudoso ex-prefeito Darci Accorsi, em cuja administração foram implementados programas de proteção às crianças em situação de rua e programas habitacionais e de assistência às famílias de baixa renda.

Iris sabe que o novo merece respeito. Ele próprio subestimou este novo em 1998 e as consequências foram 20 anos de mando de Marconi Perillo no Palácio das Esmeraldas. O mais provável é que este risco esteja na mesa onde o prefeito discute as estratégias para as eleições de novembro. Sim, a eleição foi adiada, devido ao covid19. Estes dias a mais de campanha pode ser um trunfo para o mandatário, que ganha tempo para afinar estratégias, costurar acordos e apresentar resultados com entrega de obras e melhoria nos serviços.

O calcanhar de Aquiles dos gestores nestas eleições é o covid19. A pandemia trouxe desafios imensos às administrações municipais e estaduais, pois em Brasilia não há comando. Não há ministro da Saúde, nem presidente. Estes vivem num mundo paralelo, onde prevalece a propaganda do milagre da cloroquina e a negação da doença.

O covid19 avança, e com ele o desemprego, a queda do PIB (Produto Interno Bruto), a redução das vendas e do consumo. Sem apoio efetivo do governo federal os empresários pressionam prefeitos e governadores, mas estes tem limites reduzidos para atender a estas demandas. O ideal é que empresários pressionassem suas respectivas entidades representativas e estas montassem acampamento em frente ao Palácio do Planalto e de lá só saíssem quando o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes apresentassem um pacote com dinheiro a juro negativo, garantias de emprego e um programa de renda mínima para as famílias em situação de risco de fome. E são milhões nesta situação.

Iris percebe este risco-covid19. A Secretaria Municipal de Saúde passou a testar mais nesta semana. A testagem – juntamente com o isolamento social – são as únicas profilaxias comprovadamente exitosas para controlar o coronavírus. O Vietnam, que não teve nenhuma morte por covid19 que o diga. O país asiático testou milhões e foi seguido pelos vizinhos Coréia do Sul, Singapura, China, Hong-Kong e na Europa pela Alemanha, Dinamarca, Noruega. A testagem permite definir os focos de contaminação comunitária, e possibilita que o Estado aja com eficiência para isolar contaminados de não contaminados e prevenir a propagação da doença.

A saúde vai estar no centro do debate político. Economia, geração de empregos, assistência social idem. Iris parece que está se vacinando sobre todos estes temas, como quem se prepara  não apenas para o debate do cotidiano, mas para o embate das urnas. Está mais para quem pensa nos próximos quatro anos, do quem para quem pretende finalizar em dezembro a sua gestão.