Prefeito assinou ontem, lei que estabelece a criação do Museu Frei Nazareno Confaloni, localizado na Estação Ferroviária.

O Frei Nazareno Confaloni foi o mestre dos mestres da pintura em Goiás. Praticamente todos os artistas plásticos de relevância na Capital como Amaury Menezes,  Omar Souto, Siron Franco e outros, tiveram lições de arte pelas mãos do Frei Domicano de origem italiana, que veio para a Cidade de Goiás em 1950 a convite do bispo Cândido Penzo,  para pintar 15 afrescos na Igreja do Rosário, denominados Mistérios de Rosário. Na sua permanência na antiga Vila Boa, Confaloni introduz a técnica do afresco.

Em 1952 muda-se para Goiânia, sendo nomeado o primeiro vigário da Paróquia São Judas Tadeu, no Setor Coimbra. Na Capital do Estado foi vasta a sua contribuição. Projetou e construiu a Igreja São Judas Tadeu; foi fundador da Escola Goiana de Belas Artes, EGBA, em Goiânia, onde lecionou pintura e desenho. Também foi professor e fundador da Faculdade de Arquitetura da Universidade Católica de Goiás (UCG), onde lecionou desenho e plástica. Ajudou a construir o convento e o santuário de São Judas Tadeu.

Museu

O museu em homenagem a Frei Confaloni será no espaço restaurado da Estação Ferroviária, que vai abrigar painéis e peças deste grande mestre. Durante o lançamento do museu, o artista plástico Amaury Menezes, representando a família de Confaloni, realizou a doação oficial da primeira obra do artista, que data de 1935, e da última, de 1977.

O  prefeito Iris Rezende afirmou que o novo ponto cultural tem a missão de promover a ocupação permanente do prédio da antiga estação.

“O Museu Frei Nazareno Confaloni vai se tornar um símbolo da memória da nossa cidade. Quero reafirmar que o lançamento deste espaço é muito expressivo para todos nós, pois confirma que Goiânia está preservando o seu patrimônio histórico e trazendo vida e movimento para a Região Central da cidade”, disse.

Durante o evento, Amaury Menezes, que começou seus estudos de pintura com o Frei Nazareno Confaloni na Escola de Belas Artes da então Universidade Católica de Goiás, também cedeu à Prefeitura de Goiânia mais de 100 desenhos originais do artista italiano que dá nome ao novo espaço cultural.

“Esses projetos e esboços ficaram guardados desde então, mas agora eles passam a compor o acervo do museu e poderão ser conferidos pela população e frequentadores da Estação Ferroviária de Goiânia”, pontuou.

Presente no evento, o vereador Anselmo de Oliveira destacou que a atual gestão está investindo na requalificação do centro de Goiânia e que isso é fundamental para a cultura e para a ocupação dos espaços públicos. “Estamos vivenciando um momento singular em Goiânia, pois nunca imaginei que veríamos a Rua 8 sendo restaurada e devolvida para a população. Há pouco tempo passei pela região do Grande Hotel, na Avenida Goiás, e vi que ele está totalmente entregue à cultura goiana”, salientou.

O ato que instituiu o novo museu foi acompanhado ainda pelo titular da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult), Kleber Adorno, pelo poeta e romancista, Miguel Jorge, e demais artistas e religiosos que conviveram com o Frei Nazareno Confaloni.

 

Antiga reivindicação

Giuseppe Confaloni  nasceu em Viterbo Itália no ano de  1917  e faleceu em  Goiânia em  1977 vítima de enfisema pulmonar. Pintor, muralista, desenhista e professor estudou belas artes com Felice Carena Baccio, Maria Bacci e Primo Conti, quando entrou para o apostolado, ordenando-se frei dominicano em Florença (Itália).

Desde a sua morte,  diversos artistas reinvindicaram a construção de um museu com suas obras. No 10º aniversário de seu falecimento, ocorreram várias homenagens, como uma exposição retrospectiva na Galeria Frei Nazareno Confaloni e mesa redonda com artistas e críticos de arte, na UCG.

Em 1991  foi promovida a Semana Frei Nazareno Confaloni, onde foi assinado o decreto para a construção do Museu Frei Nazareno Confaloni. Nesse ano começa o processo de restauração dos painéis Bandeirantes: Antigos e Modernos, realizados em 1953 e que retratam a construção das estradas de ferro em Goiás. É lançado o livro Conhecer Confaloni de PX Silveira no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Há também a exibição do vídeo de Antonio Segatti e PX Silveira, O Bandeirante da Arte Moderna. É considerado um dos pioneiros da arte moderna em Goiás.

Críticas

“Realizou volumosa obra, prevalecendo o temário religioso em lances expressionistas. Focalizou diretamente a figura humana, seu sofrimento, fé, miséria. O frei não deixou uma obra alegre nem exasperada. Deixou, entretanto, uma obra sã, com sentimento religioso. Quanto à forma, sempre tentou fugir do acadêmico e nem sempre conseguiu escapar da estilização modernista. Aliás, Confaloni era todo modernista e apoiava iniciativas arrojadas, comuns na política desenvolvimentista. Sua figuração, no entanto, é de concepção ingênua. (…) Numa cidade sem tradição cultural como Goiânia, plantada de uma hora para outra no Planalto, Confaloni é hoje uma grande memória na História da Arte do Estado, justamente por ter diretamente contribuído para sua afirmação.”
Aline Figueiredo

“Pintor, desenhista, muralista, Nazareno Confaloni veio caminhando com o tempo, construindo seu trabalho, passando por várias fases, tendo como preocupação única documentar uma realidade mítico-social. Seus quadros refletem homens, mulheres e crianças do cotidiano. Não são figuras, são personagens do drama do dia-a-dia, apresentando uma boa dosagem de resignação santificada. Às vezes são madonas e santos, caracterizados com o vigor dos homens e das mulheres comuns, por isso mesmo vigorosos em personalidade, integrados nos limites da purificação. Entretanto, quem vê o trabalho acabado, livre de modelos, vivo de criatividade talvez não perceba o desafio da técnica, o cuidado com a composição da forma e dos espaços, iniciados em estudo à parte, em pequenos desenhos. Não há primeiros ou segundos planos na pintura de Confaloni. Há, isto sim, uma integração da temática com a técnica, uma limpeza de cores e um comprometimento consciente. Também não há altos e baixos nas obras apresentadas: há um mesmo nível, com um requinte intencional, que nos conduz a uma realidade (íntima, refletida). Somam-se a tudo isso os tons regionais e a grande experiência de vida deste mestre, que é brasileiro-italiano, comprometido nas raízes com o processamento histórico-cultural de Goiás. É uma figura valiosa, tanto na pintura quanto na personalidade, ambas fazendo dele o alicerce e o esteio que sustentaram e sustentam várias gerações (…). ”
Miguel Jorge

Exposições Individuais

1967 – Brasília DF – Individual, no Hotel Nacional
1971 – Brasília DF – A Maternidade, na Galeria da Casa Thomas Jefferson
1973 – Goiânia GO – Individual, na Alba Galeria

Exposições Coletivas

1948 – Roma (Itália) – Salão Minerva
1953 – Goiânia GO – Coletiva inaugural da Escola Goiana de Belas Artes
1954 – Goiânia GO – Exposição Nacional de Artes Plásticas (por ocasião do 1º Congresso Nacional de Intelectuais)
1959 – Goiânia GO – Coletiva inaugural do MAM/GO
1963 – Goiânia GO – 1º Salão de Artes Plásticas da Universidade Federal de Goiás – sala especial
1966 – São Paulo SP – Coletiva Artistas Goianos, no Masp
1972 – Livorno (Itália) – Coletiva Fratres in Unun, na Galeria Modigliani, promovida pelo Centro Artístico II Grattacielo
1972 – Florença (Itália) – Exposição Europa, na Galeria Ieda – medalha de prata
1976 – Goiânia GO – 3º Caixego – prêmio aquisição
1977 – Roma (Itália) – Coletiva promovida pelo governo do estado de Goiás, na Embaixada do Brasil
1977 – Milão (Itália) – Coletiva promovida pelo governo do estado de Goiás, na Embaixada do Brasil
1977 – Paris (França) – Coletiva promovida pelo governo do estado de Goiás, na Embaixada do Brasil

Exposições Póstumas

1978 – Goiânia GO – Frei Nazareno Confaloni, na Itaúgaleria
1990 – Goiânia GO – 20 Anos do Museu de Arte de Goiânia, no Museu de Arte

(Com informações da Secom e Instituto Cultural Itaú)