Em documento intitulado Brasil Pós Covid-19, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) também sugerem um ano de carência para empresários pagarem empréstimos.

Por Mariana Branco- Portal Vermelho – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou, nesta quarta-feira (22), o documento Brasil Pós Covid-19. O trabalho apresenta uma série de propostas de curto a longo prazo para acelerar o desenvolvimento sustentável no país após a pandemia. Uma delas é a concessão de crédito para micro e pequenas empresas a juro zero e com um ano de carência.

A entidade argumenta que é preciso garantir a “preservação do tecido produtivo”, do qual micro e pequenas empresas formam a base. “[Preservá-las] é imprescindível para a retomada das atividades econômicas uma vez superada a crise”, ressalta o documento. O Ipea destaca que o setor representa cerca de 95% das empresas do país e responde por quase 60% dos postos de trabalho formais.

A proposta da entidade é conceder o crédito a juro zero e com um ano de carência a partir do fim do isolamento social para pagamento. Seriam contempladas todas as empresas com faturamento bruto anual até R$ 4,8 milhões. A contrapartida seria a manutenção dos empregos por seis meses após o fim do isolamento.

As operações de crédito seriam realizadas com análise simplificada de risco e inadimplência garantida pelo Tesouro Nacional. “O crédito deve ser operacionalizado por todas as instituições de pagamentos e transferências financeiras, incluindo bancos públicos e privados, fintechs, bancos e agências de desenvolvimento, cooperativas de crédito, bancos comunitários, Correios e agências lotéricas”, propõe o Ipea.

Política de crédito falhou

As ações do governo para fazer o crédito chegar às micro e pequenas empresas durante a pandemia têm falhado. Dados divulgados este mês pelo Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) mostram que a taxa de aceitação dos empréstimos via Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) ainda é baixa.

Pesquisa do Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) explica que, ao longo do mês passado, subiu de 39% para 46% o percentual de micro e pequenas empresas que procuraram um financiamento bancário durante a pandemia. No início da quarentena, essa proporção era de apenas 30%.

Com essa alta da demanda e a criação do Pronampe, a taxa de aceitação dos empréstimos também subiu. Porém, em um ritmo aquém do esperado, segundo o Sebrae, de 16% para apenas 18%.

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