Investigação comandada pelo experiente jornalista Joaquim Carvalho aponta evidências de que uma farsa pode ter sido montada para alavancar a candidatura do ex-capitão à vitória em 2018

Ganha corpo a tese de que o atentado contra o então candidato a a presidência da República Jair Bolsonaro foi na verdade um “auto atentado”.A tática da vitimização não é nova. Nas eleições de 1996 em Aparecida, o candidato Valmir do Tangará” (Tangará é um clube de sua propriedade no município) estava perdendo as eleições para Ademir Menezes. Bolou um plano: Mandou que lhe dessem um tiro de espingarda calibre 12 (com munição de sal) e fez correr a notícia. Apareceu enfaixado num hospital culpando o adversário. A farsa caiu e veio à tona que se tratava de um falso atentando ou um auto atentado e Valmir perdeu as eleições

Passados quase três anos da facada, começam a surgir evidências de que o mesmo pode ter ocorrido em relação ao presidente Jair Bolsonaro.

A primeira a levantar esta possibilidade foi a jornalista e deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP). Ex-aliada do presidente,  Joice revelou que o chefe do Executivo federal disse a ela, dias antes das disputa presidencial de 2018, que “se tomasse uma facada, ganharia a eleição. A polêmica declaração da parlamentar foi feita numa live no dia 2 de julho do canal DCM no Youtube.

Bolsonaro teria falado com a parlamentar pelo menos 15 dias antes do episódio em que Adélio Bispo de Oliveira golpeou com uma faca o então candidato em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018. Joice alegou que achou estranho o crime pelo fato de o número de policiais que faziam a proteção de Bolsonaro estar reduzido pela metade.

“Eu viajei algumas vezes com o presidente bem naquela época do quente da campanha e, numa daquelas viagens, a gente tava fazendo Rio Preto, Ribeirão Preto, Araçatuba, aquela região ali, e em uma das cidades, eu acho que foi Araçatuba, eu tava no carro com ele, aquela multidão e tal e toda vez que eu estava com ele, eu fazia ele sair de colete. Então as vezes tava calor e ele tava de manga comprida por conta do colete. E aí, na volta a gente entrou no carro e ele olhou pra mim assim e eu falei: ‘olha, você tem que tomar cuidado, muita gente, questão de segurança’, ai ele falou assim: ‘olha, se eu tomasse uma facada, eu ganhava a eleição’”, afirmou a deputada, que foi líder do governo do presidente entre fevereiro e outubro de 2019.

“Ele usou essa frase acho que uns 10, 15 dias antes. E eu falei: ‘ah, fica quieto, vira essa boca pra lá’”, acrescentou a deputada.
Joice, que viajava muito com Bolsonaro no período, disse que não havia sido comunicada sobre o comício em Juiz de Fora: “Algumas pessoas que geralmente estariam com ele naquele momento, como eu mesma, não foram comunicadas daquela agenda. Outra coisa que estranhamos foi ele estar nos ombros de alguém”.
Na transmissão ao vivo, ela também questionou o fato de o crime não ter tido um mandante. A Justiça considerou em maio de 2019 que Adélio Bispo tem transtorno mantal e, por isso, inimputável – sem condições de responder pelos atos.

Investigação

Jornalista com passagem em veículos como Veja, Folha e Estadão, Joaquim de Carvalho està a frente de um documentário sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, episódio que foi decisivo para sua eleição. O material está sendo feito através do canal de Youtube do site Brasil247. Numa entrevista sobre as suas investigações, Joaquim de Carvalho disse que há sinais fortíssimos indicando que o vereador Carlos Bolsonaro, o chamado filho “02” teria planejado a facada no próprio pai, configurando um autoatentado e não um ataque tresloucado de Adélio dos Santos.
Joaquim de Carvalho observa que em twitter em 2016, Carlos Bolsonaro já falava em um atentado contra o seu pai, o que reforça a tese de que houve um planejamento prévio na ação. Segundo o jornalista, “Carluxo” comandou a maior parte da estratégia de marketing da campanha bolsonarista e tinha forte influência sobre o pai para que tal planejamento (autoatentado) fosse levada a termo.
Para Joaquim de Carvalho o caso pode ser reaberto pela Polícia Federal porque há muitas pontas soltas.
Veja abaixo o vídeo do jornalista sobre o documentário.
Os trechos sobre a facada são:
1h17min27s a 1h20min21s
1h25min36s a 1h26min43s
1h27min11s a 1h33min37s

 

 

Com informações do DCM e Brasil247