Site do premiado jornalista norte-americano Glenn Greenwald, ganhador do Pulittzer de jornalismo, publica conversas em chat do Telegram onde fica claro a parcialidade do ex-juiz federal e do chefe da Lava Jato  e que ambos tinham como principal preocupação em tirar petista da corrida presidencial. Matéria repercute no Congresso Nacional, onde senador quer convocar Moro e abrir a CPI da Lava Jato. STF marca reunião extraordinária para próxima terça-feira e pode anular processo contra Lula e outros acusados.

 

O Intercept Brasil publicou na noite de domingo extenso material onde fica revelado que a Operação Lava Jato tem um forte viés político e partidário. No texto de abertura da matéria o site informa que Sergio Moro e Deltan Dallagnol trocaram mensagens de texto que revelam que o então juiz federal foi muito além do papel que lhe cabia quando julgou casos da Lava Jato. Em diversas conversas privadas, até agora inéditas, Moro sugeriu ao procurador que trocasse a ordem de fases da Lava Jato, cobrou agilidade em novas operações, deu conselhos estratégicos e pistas informais de investigação, antecipou ao menos uma decisão, criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público e deu broncas em Dallagnol como se ele fosse um superior hierárquico dos procuradores e da Polícia Federal.

“Talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas”, sugeriu Moro a Dallagnol, falando sobre fases da investigação. “Não é muito tempo sem operação?”, questionou o atual ministro da Justiça de Jair Bolsonaro após um mês sem que a força-tarefa fosse às ruas. “Não pode cometer esse tipo de erro agora”, repreendeu, se referindo ao que considerou uma falha da Polícia Federal. “Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou então repassando. A fonte é seria”, sugeriu, indicando um caminho para a investigação. “Deveríamos rebater oficialmente?”, perguntou, no plural, em resposta a ataques do Partido dos Trabalhadores contra a Lava Jato.

A matéria mostra que Dallagnol admitiu que não tinha confiança nas acusações contra o ex-presidente Lula e que os procuradores utilizaram como “prova”, matéria do jornal o Globo de 2010, que mostra que Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, tinham sido prejudicados pela falência do Bancoop, cooperativa na qual compraram um apartamento em Guarujá (SP). Mas a mesma matéria – que foi usada como “prova” -, desmente Moro e Dallagnol, pois na sentença se diz que Lula teria adquiro um apartamento de cobertura de frente para a praia, enquanto na matéria de O Globo, a reporter informa que Lula e Marisa seriam prejudicados porque compraram o direito a um apartamento no Bloco B, porém perderiam a vista para o mar porque a cooperativa Bancoop estava construindo o Bloco A, que ficaria de frente, tapando a visão para o mar.

 

CPI

No Congresso Nacional as revelações caíram como uma bomba. O site Congresso em Foco, especializado na cobertura do Parlamento, informa que o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) disse ao Congresso em Foco que vai coletar assinaturas para instalar uma CPI da Lava Jato. Para se criar uma CPI na Casa, é necessário o apoio de pelo menos 27 dos 81 senadores.

Segundo ele, a iniciativa não pretende invalidar a operação, mas questionar se uma “conspiração” interferiu nas eleições de 2018, ao tirar o ex-presidente Lula da disputa com uma condenação sobre a qual o autor da denúncia admitiu não ter convicção sobre a peça acusatória. Coronel também afirmou que vai pedir a convocação do ministro e do procurador na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado.

 

Representação contra Moro e Dallagnol

Mais de 300 advogados e juristas assinaram hoje representação contra o ministro da Justiça Sérgio Moro e contra o procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Em nota à impressa eles pedem a retirada de Moro do ministério e de Dallagnol de suas funções e que ambos sejam investigados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“Os conluios entre o juiz e os procuradores não podem ficar impunes, especialmente porque revelam a promiscuidade que caracterizou a relação entre esses representantes do sistema de justiça. À toda evidência, o CNJ, o CNMP e o Congresso Nacional têm a obrigação de instaurar imediato procedimento administrativo em face dos envolvidos, para investigar os supostos crimes cometidos”, salienta um dos trechos da nota.

STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, disse hoje em entrevista à Folha de S. Paulo que “em tese, não admite-se diálogo privado entre estado acusador e estado juiz. Nem entre estado juiz e advogado de defesa. Não cabe. O juiz fala no processo”. “O diálogo é impróprio”, completa.

Diante das graves revelações de Intercept, o STF emitiu nota à imprensa informando que fará reunião extraordinária nesta terça-feira entre as primeiras e segundas turmas do STF para analisar as acusações. “Os presidentes da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, e da Segunda Turma, ministro Ricardo Lewandowski, determinaram o cancelamento da sessão ordinária agendada para o dia 18 de junho e convocaram sessão extraordinária para a próxima terça-feira, 11 de junho. A Primeira Turma reúne-se a partir das 9h e, a Segunda, às 9h30. A sessão ordinária do período vespertino, na mesma data, permanece inalterada para ambos os colegiados”, informa.

A expectativa de juristas e criminalistas é de que o Supremo anule a condenação de Lula no caso do triplex e que outras sentenças do ex-juiz Sérgio Moro também sejam revistas.

Para ler na íntegra as matérias acesse abaixo o link do site do Intercept Brasil:

https://theintercept.com/series/mensagens-lava-jato/