Reportagem exclusiva do site Intercept Brasil revela que nada menos 145 espiões atuam na Fiat do Brasil, colaborando com a ditadura para reprimir o movimento sindical. Um militar da reserva, indicado pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) trabalhou na Fiat numa diretoria de  Segurança e Informações.

 

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, “em outubro de 1978, a Fiat do Brasil se via às vésperas da sua primeira greve. Os operários se organizavam em segredo por medo da repressão militar. Executivos italianos e brasileiros sentiam a eletricidade no chão de fábrica e se perguntavam o que tinha dado errado: anos antes, o governo militar brasileiro havia garantido que a empresa não teria problemas com paralisações”.

A matéria é assinada por quatro jornalistas:  Eles trabalharam ao  longo de um ano, em documentos na Itália e no Brasil e conversaram com ex-funcionários da Fiat, sindicalistas e investigadores nos dois países para mostrar como a empresa italiana espionou funcionários brasileiros e colaborou com o sistema de repressão do governo militar em troca de informações sobre o movimento sindical. Documentos inéditos levantados junto ao Arquivo Público Mineiro indicam conversas entre o aparato repressor do Estado e uma gigantesca estrutura interna e secreta de espionagem, comandada por um coronel da reserva do Exército dentro da montadora.

“Foi graças a ela que a Fiat enfraqueceu o movimento grevista e manteve sua fábrica em funcionamento: a planta da montadora italiana na América do Sul se tornaria sua mais bem-sucedida empreitada no exterior. Hoje, a Fiat do Brasil produz mais carros da marca do que qualquer país além da Itália e, por 11 anos, foi a líder de vendas no Brasil – perdeu o topo em 2017 e agora é a terceira montadora de automóveis mais popular no país. Mas, há 40 anos, quando a empresa estava crescendo sua operação fora da Europa, a turbulência estava no horizonte”, aponta.

Leia a íntegra da reportagem no site do Intercept Brasil .