Brasil chega a 2 milhões de casos com 9 semanas de pico de mortes registrando perto de mil óbitos por dia. Para infectologista Marcos Boulos, dificuldade de manter taxa de isolamento prolonga a duração do platô. Goiás e toda região Centro-Oeste, Sul e parte do Norte estão com viés de alta na contaminação.

Cesar Xavier – Portal Vermelho – O Ministério da Saúde incluiu nas últimas 24 horas mais 45.403 registros de infecção por coronavírus no Brasil. Com isso, o país ultrapassou a marca de dois milhões de diagnósticos da covid-19 desde o início da pandemia. Foram quatro meses para chegar a um milhão de casos, e apenas um mês para dobrar este contágio. Vamos completar cinco semanas com média de 250 mil casos registrados.

O total de infectados é de 2.012.151. A pasta também contabilizou de ontem para hoje 1.322 novas mortes, com o acumulado de vítimas chegando a 76.688 em todo o país. Foi o pior dia do mês de julho, com o maior registro de óbitos em 24 horas desde 23 de junho, quando o ministério incluiu 1.374 mortes nas contas oficiais. O recorde anterior do mês tinha sido registrado na última terça-feira (14), quando 1.300 óbitos foram somados.

Apesar disso, o alto número de mortes se mantém relativamente estável há mais de dois meses, perto de mil casos a cada 24 horas. O que é estranho é justamente essa duração do platô de mortes por nove semanas seguidas. Para o infectologista Marcos Boulos, em entrevista ao portal Vermelho, são as “políticas erráticas dos governos”, assim como especificidades brasileiras, que explicam este fenômeno.

Infográfico mostra covid19 em queda nas regiões Norte, Sudeste e parte do Nordeste, que está estável, enquanto Centro-Oeste e Sul tem viés de alta

Boulos observa que devido à dimensão demográfica do Brasil e dessas dificuldades dos governos em compreender a importância do lockdown, ou de estímulos a medidas de isolamento social, vamos ficar repetindo esse número de mortos (e casos) até começar a descer a curva da pandemia. “Enquanto as pessoas estiverem circulando, haverá transmissão e, portanto, contágio. Se tirássemos todo mundo da rua diminuiria rapidamente”, afirmou.

O médico observa que em algumas cidades, atingidas precocemente pela covid-19, esta queda já é registrada. A capital paulista, epicentro da doença, começa apresentar esta curva descendente. “Estamos em pleno inverno e temos uma população muito carente que tem dificuldades de praticar o isolamento, então, não é estranho que esta estabilidade continue”, acrescenta.

Assim, há falta de seguimento às orientações, reaberturas inadequadas, com “políticas estranhas” em vários governos. “Você pode dizer que os números são exagerados, mas é isso mesmo. A dinâmica de uma epidemia é assim”, constatou.

De qualquer forma, ele considera que as medidas mínimas de isolamento respeitadas por grande parcela da população, impedem que os números continuem crescendo de forma exponencial. Assim, este patamar das últimas semanas aponta para a possibilidade de começar a cair brevemente.

Outro elemento que não permite a queda imediata da curva é a dimensão do país, em que as regiões mais populosas foram atingidas primeiro pela pandemia, enquanto a metade interior do país, começa a vivenciar a explosão pandêmica agora, nas últimas semanas. O infectologista diz que nas cidades que estão registrando aumento dramático, agora, houve controle nas primeiras semanas, mas começaram a reabrir a economia. “Foram políticas erráticas, com hora errada pra fechar e pra abrir, e estamos sofrendo as consequências desse quase amadorismo no combate”, declarou.

O governo federal informou ainda que o Brasil tem atualmente 639.135 pacientes em acompanhamento. Outros 1.296.328 de casos já são considerados como casos recuperados da doença.

Mapa do avanço da pandemia por esta