Em 2017, durante entrevista ao programa da Rede Meio Norte, Ciro Nogueira, que vai assumir uma vaga no núcleo do governo no Palácio do Planalto, disse que Bolsonaro era “fascista” e “preconceituoso”

Por Iram Alfaia, no Portal Vermelho

Acuado com denúncias na CPI da Covid e desgastado na opinião pública, Bolsonaro tenta reagir para manter apoio político no Congresso. Ele anunciou que vai nomear o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no lugar do general do general Luiz Eduardo Ramos na Casa Civil. Com isso, ele prestigia o principal líder do Centrão e demonstra o grau de fragilidade do seu governo.

Em 2017, durante entrevista ao programa da Rede Meio Norte, o senador, que vai assumir uma vaga no núcleo do governo no Palácio do Planalto, disse que Bolsonaro era “fascista” e “preconceituoso”. “O Bolsonaro eu tenho muita restrição porque é um fascista. Tem um caráter fascista, preconceituoso. É muito fácil você ir para a televisão dizer que vai matar bandido”, disse Nogueira.

Para o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), a nova jogada política de Bolsonaro demonstra que ele já não manda no governo. “Orçamento terceirizado. Cargos terceirizados. Governo terceirizado. Pra que semipresidencialismo se o presidente já não manda nada?”, indagou.

O vice-líder do PCdoB, Orlando Silva (SP), afirmou que Bolsonaro acionou a “última linha de defesa”. “O presidente é indiferente a sociedade, está cada vez mais distante dos agentes econômicos e caminha para o isolamento político.  É o roteiro do impeachment. Falta a rua. E ajustar a saída”, resumiu.

“Quando Arthur Lira foi eleito presidente da Câmara, escrevi que não foi Bolsonaro que ganhou o Centrão, foi o Centrão que ganhou o governo. A provável nomeação de Ciro Nogueira para a Casa Civil colocará Bolsonaro de joelhos. O presidente é um fantoche cada vez mais fraco”, disse o líder da minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ).

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também chamou o presidente de fantoche. “Conta cada vez mais cara: Bolsonaro quer entregar mais um Ministério para o Centrão. Além de entregar a Casa Civil para Ciro Nogueira, Jair Bolsonaro estuda também recriar o Ministério do Trabalho a fim de acomodar Onyx Lorenzoni. #24JForaBolsonaro”, escreveu no Twitter.

“Ciro Nogueira, senador do Centrão, vai assumir a Casa Civil. Onyx Lorenzoni deve assumir o extinto Ministério do Trabalho, refundado para agradar os aliados de Bolsonaro. O Centrão aumentou o preço para seguir apoiando o genocídio em curso!”, afirmou a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone (RJ).

“Ciro Nogueira será nomeado ministro de Bolsonaro. Sua mãe assumirá sua vaga no Senado. Ciro será ministro de um presidente em quem ele disse que não votaria porque era fascista”, voltou a lembrar o senador Humberto Costa (PT-PE).