Um incêndio atingiu um depósito da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (29). Nesta semana, outro fato grave: um apagão de dados nas plataformas Lattes e Carlos Chagas, que escancarou o descaso do governo federal com a infraestrutura do  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 11 viaturas foram enviadas à Vila Leopoldina, onde o imóvel está localizado e o fogo foi controlado.

No ano passado, um temporal alagou o galpão e parte do acervo foi comprometido. Em 2016, um outro galpão da Cinemateca Brasileira, ao lado da sede da Vila Mariana, foi atingida por um incêndio que destruiu cerca de 500 obras.

A Cinemateca é considerada oficialmente abandonada, desde julho de 2020, quando o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) entrou com uma ação na Justiça contra a União por abandono, devido à falta de contrato para gestão da instituição.

No último fim de semana, pesquisadores denunciaram que não estavam conseguindo acessar a plataforma Lattes. Esses diretórios reúnem todos os dados das atividades acadêmicas, currículos e pesquisa de brasileiros e estrangeiros. De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, houve problema em uma peça de um dos computadores e uma empresa foi contratada para fazer o reparo. No entanto, pesquisadores estão preocupados com a situação de bolsas, pesquisas e do próprio CNPq, que sofre com redução de orçamento e de pessoal.

Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, de um orçamento de R$ 3 bilhões em 2014 (em valores atualizados para junho de 2021), o CNPq perde mais de R$ 1 bilhão no orçamento de 2016, e chega neste ano com um valor previsto de R$ 1,27 bilhões, inferior a qualquer dotação orçamentária que o órgão teve no presente século.

Para o líder do PCdoB na Câmara, Renildo Calheiros (PE), o corte nas verbas na principal agência de suporte à atividade científica no país revela a “triste realidade da Ciência e Tecnologia no governo Bolsonaro”. “Com mais de 70 anos de atividade, o CNPq vive o momento de maior penúria financeira de sua história”, escreveu no Twitter.

SBPC

Em um texto publicado na noite de quarta-feira (28), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência manifestou “consternação e preocupação” com a fragilidade da infraestrutura do CNPq. “A SBPC solicita ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) que providências imediatas sejam tomadas para que o CNPq restabeleça em sua plenitude a capacidade de atuar estrategicamente no desenvolvimento da pesquisa, ciência, tecnologia e inovação do Brasil, como o vem fazendo há 70 anos”.

Fonte: Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados