Jornais estrangeiros ironizam o fracasso da política externa bolsonarista de acom planhar os EUA em tudo e não ter reciprocidade.

O governo dos Estados Unidos anunciou neste domingo (24) a proibição de voos vindos do Brasil, devido aos altos números de contaminados pelo novo coronavírus no país. A mídia internacional repercutiu com destaque a decisão, visto que os presidentes Trump e Bolsonaro mantêm relação ideológica bastante próxima.

No “New York Times”, o anúncio da notícia veio acompanhado de um bom relato sobre a gravidade da situação no Brasil. “Diante dessa situação, tomaremos todas as medidas que forem necessárias”, afirmou Robert O’Brien, assessor do presidente Trump. O jornal lembra também que o Brasil tem o maior número de infectados da América Latina, com mais de 22 mil mortos registrados.

A restrição começa a valer no dia 29 de maio. O decreto não atinge pessoas que residem nos EUA ou que sejam casadas com cidadãos estadunidenses. Não há prazo definido para o fim das medidas anunciadas no domingo.

A “Al Jazeera”, rede destinada ao mundo árabe com publicações em vários idiomas, destacou que a medida foi um duro golpe contra o governo de Jair Bolsonaro, em virtude de sua ligação com Trump.

“O banimento foi um golpe no presidente brasileiro, que desde o início da pandemia procurou copiar Trump em praticamente tudo”.

O site também publicou uma breve nota da Embaixada dos EUA em Brasília: “Nossos países manterão a parceria e vamos trabalhar em conjunto para mitigar os impactos socioeconômicos e de saúde da pandemia”.

O britânico “Financial Times” pegou como gancho a medida anunciada pelos EUA para destacar que o Brasil passou a Rússia e se tornou o segundo país com mais infectados pelo coronavírus, com 330.890 casos.

O argentino “Página 12”, por sua vez, ironizou o momento em que Bolsonaro chamou a Covid-19 de ‘gripezinha” e afirmou que que o número de casos em território brasileiro pode ser até 15 vezes superior ao anunciado.

No começo desta semana, existe a expectativa para que os EUA alcancem a simbólica marca de 100 mil mortos pela Covid-19. Já há mais de 1,6 milhão de casos registrados no país. O Brasil, até o momento, não anunciou nenhum tipo de medida recíproca em relação a voos estadunidenses, a despeito dos dados alarmantes apresentados pelo país.