É a segunda denúncia ligando o ministro do Meio Ambiente à exploração de madeira na Amazônia. Segundo Pedro Luiz Côrtes, isso pode afetar imagem externa do Brasil e mercado de “commodities”

A Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira (19), uma operação que investiga integrantes do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, incluindo o ministro Ricardo Salles. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão e teve seu sigilo fiscal e bancário quebrados.

A ação, organizada pelo Supremo Tribunal Federal, busca apurar suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando de madeira extraída ilegalmente da Amazônia.

A denúncia partiu do governo americano, que detectou irregularidades em diversos embarques de madeira que chegaram até os Estados Unidos. É a segunda envolvendo o ministro, que já recebeu uma notícia-crime do ex-chefe da Polícia Federal do Amazonas endereçada ao STF.

Segundo a Polícia Federal, há fortes indícios da existência de um esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais, envolvendo o ministro Salles, além de servidores públicos do Ministério e do Ibama.

Imagem externa prejudicada

Para o professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes e do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a permanência de Salles, sob suspeita de pertencer a um grupo de contrabando de madeira, prejudica a imagem do Brasil no exterior.

“Isso coloca mais uma energia nessa vontade que países europeus têm de embargar agrícolas brasileiros”, diz em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

Já há uma movimentação de redes de supermercados na Europa, segundo ele, sinalizando um possível boicote às commodities brasileiras, em função dos problemas ambientais na Amazônia.

“Nossa atenção para o exterior é muito importante, porque nós dependemos muito desses mercados”, destacando também as consequências aos produtores rurais brasileiros.

“A pessoa responsável por resguardar a legislação ambiental é acusada de trabalhar para o outro lado, para o lado que promove grilagem e desmatamento. É uma acusação muito, muito séria. E o governo, obviamente, precisava se posicionar em relação a isso.”

Ele destaca que o atual ministro é remanescente da chamada “parte ideológica do governo” e que há uma tentativa de mantê-lo. “Ninguém lucra, hoje, com a permanência do Ricardo Salles nessa situação sem que explicações sejam dadas.”


Fonte: Jornal da USP no Ar 
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