Pesquisa mostra que 61% dos entrevistados são contra a liberação geral da compra de armas defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e 73% rejeitam o porte de armas. Trabalho e oportunidades de ensino são as principais preocupações da população.

Pesquisa do Instituto Ibope divulgada pelo jornal O Globo, na coluna do jornalisa Lauro Jardim, mostra que 75% dos brasileiros são contra a flexibilização do porte de armas proposto pelo presidente Jair Bolsonaro. O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 143 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Segundo o instituto, o apoio às medidas do governo varia conforme a região do país, o sexo dos entrevistados e a cidade onde vivem.

Nas regiões metropolitanas, por exemplo, a adesão ao armamento é menor do que a registrada nos municípios do interior. Apenas 31% dos brasileiros “concordam totalmente” com a liberação do porte de armas. Outros 13% “concordam em parte. Só os mais ricos, que ganham acima de cinco salários mínimos, concordam com o decreto do presidente Bolsonaro. Neste grupo, 53% apoiam a flexibilização do porte e da compra de armas.

Capital e interior
No site Tijolaço, o jornalista Fernando Brito, observou que nas periferias das grandes cidades, áreas com maior índice de violência no país, 70% dos entrevistados da periferia são contrários à posse de armas e 75% rejeitam o porte. Nas capitais, a é de 62% e 72%, respectivamente. No interior, 58% e 72% rejeitam posse e porte de arma
Só na região Sul a diferença é menor: 51% são contra e 48% são à favor da liberação. No Centro-Oeste/Norte, 55% são contra e 43% à favor, no Sudeste, 63% são contra e 35% apoiam e no Nordeste, 66% são contra e 33% à favor.

Brasileiros divergem do presidente
A pesquisa Ibope, segundo O Globo, aponta que a maioria da população brasileira discorda totalmente que aumentar o número de pessoas armadas torne a sociedade mais segura (51%) — 16% concordam totalmente e 15%, em parte. Apenas 31% têm total convicção de que ter uma arma em casa a torne mais segura e 18%, de que carregar um armamento traz mais segurança ao portador. Neste último caso, 47% discordam completamente
De acordo com o jornal O Globo, a rejeição ao porte de armas — condição em que o dono da arma é autorizado a carregá-la consigo nas ruas — é ainda maior. Apenas 26% são a favor, e oito em cada dez mulheres discorda da medida. Na perifeira, 75% condenam flexibilizar as regras. No Sudeste, 76% dos entrevistados são contrários à liberação do porte. O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 16 e 19 de março, antes da publicação do decreto presidencial, editado em maio, que ampliou as categorias que têm direito ao porte de arma.

80% das mulheres são contra
As mulheres são as que mais rejeitam o “liberou geral” das armas proposto pelo presidente. Maiores vítimas de violência, num país onde cresce assustadoramente o feminicídio, 80% das mulheres são contra a flexibilização do porte e da venda de armas; entre os homens, 65% são contra e 34% a favor.

Em janeiro, Bolsonaro assinou um decreto facilitando a posse de armas dentro de casa ou do trabalho. Entre outras medidas, o texto retirou da Polícia Federal a decisão sobre a necessidade da arma. Agora, basta a declaração do cidadão. Ele precisa ter ao menos 25 anos, apresentar atestados de aptidão técnica, laudo psicológico e não ter antecedentes criminais.

Educação e emprego
Neste mês de maio, nos dias 15 e 30, três milhões de brasileiros foram ás ruas em mais de 250 cidades do país para protestarem contra os cortes na Educação defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro e seu ministro, Abraham Weintraub. Os protestos uniram professores, pais de alunos, estudantes, sindicalistas e trabalhadores em geral, que além reivindicaram mais verba para a educação em todos os níveis (ensino fundamental, médio e universitário), mais verbas para as pesquisas e mais emprego.
A reforma da Previdência, também foi amplamente rejeitada nas manifestações. O temor da maioria da população é de que as mudanças na previdência pública gerem redução drástica dos benefícios, repetindo o que acontece hoje no Chile, onde aposentados ganham menos de um salário mínimo.
O povo demonstra que não é pela violência. O presidente precisa mudar o discurso.