Em sete semanas o número de desempregados subiu 26%.

Estatísticas divulgadas nesta sexta-feira (17) pelo IBGE revelam uma forte deterioração do mercado de trabalho no Brasil, em contraste com o otimismo gerado por uma leve recuperação das atividades econômicas. Na quarta semana de junho 12.428 milhões de pessoas amargavam o desemprego aberto, 675 mil a mais que na semana anterior. A taxa de desemprego subiu a 13,1%, a maior registrada desde o começo de maio, quando era de 10,5%.

Na comparação com a primeira semana de maio, o contingente de desempregados no país aumentou em cerca de 2,6 milhões de pessoas – uma alta de 26% no período em sete semanas. Cabe observar que a taxa de desemprego aberto do IBGE, restrita aos que procuraram emprego nos 30 dias anteriores à data da pesquisa, não compreende todo o universo de desocupados, que comporta ainda milhões de desalentados que desistiram ou não têm condições de correr atrás de emprego e são excluídos da População Economicamente Ativa (PEA).

Metade do povo na ociosidade

A população ocupada passou de cerca de 84 milhões para 82,5 milhões, um corte de 1,5 milhão em uma semana. Com isso, o nível de ocupação no país ficou em 48,5%, com queda em relação à semana anterior (49,3%) e à primeira semana de maio (49,4%). Significa que temos mais de 50% do povo em idade ativa na ociosidade. Não se trata de um ócio voluntário e criativo para a grande maioria.

De acordo com a pesquisa do IBGE, 26,9 milhões de pessoas disseram que gostariam de trabalhar. Cerca de 17,8 milhões disseram que não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam.

Esses indicadores retratam melhor o espantoso nível de desperdício das forças produtivas na economia brasileira. Conforme se sabe pelo menos desde a fundação da Economia Política pelo inglês Adam Smith, a riqueza social é produzida pela força de trabalho, a agregação de valor (aquilo que, em âmbito nacional, chamamos de PIB) é atribuição exclusiva do trabalho.

Emprego e PIB

As máquinas, que são elas próprias produto do trabalho humano, embora impulsionem a produtividade sozinhas nada produzem, como de resto fica claro nas quarentenas decorrentes da pandemia: se ninguém trabalha nada funciona, nada se produz. Daí se deduz que, considerando como dadas a jornada e a produtividade do trabalho, quanto mais numerosa for a força de trabalho empregada e produzindo maior será o PIB de uma nação.

O pleno emprego potencializa a taxa de crescimento da produção. Durante a chamada era dourada do capitalismo, ao longo da década de 1960, a taxa média anual de crescimento do PIB na velha Europa era invejável: 5%. A taxa média de desemprego na região estava em 1,5%, o que os economistas consideram como pleno emprego.

A relação de proporção (inversa) entre pleno emprego e PIB não se verificou na Europa por coincidência ou obra do acaso. Expressou o fato elementar de que quanto menor a taxa de desemprego maior a produção. Nas décadas seguintes o desemprego subiu e o PIB caiu progressivamente, provocando o declínio do poderio econômico do continente.

Política econômica

Por isto, o flagelo social do desemprego é ao mesmo tempo uma tragédia econômica e um testemunho a mais da decadência do sistema e das relações sociais que o geram. É a principal manifestação do choque entre forças produtivas e relações de produção mencionada por Karl Marx.

Combater o desemprego devia ser a preocupação central de qualquer governo comprometido com o desenvolvimento e com o bem estar do seu país. O tema ganha nova urgência e dimensão após a emergência da pandemia.

Não se deve esperar uma solução espontânea pelas mãos invisíveis do mercado capitalista, que é a causa do desemprego em massa. É preciso recorrer às mãos fortes e visíveis do Estado para promover investimentos em ampla escala, socorrer trabalhadores e empresas e criar as condições para amortecer a crise e retomar o crescimento.

O governo da extrema direita, liderado pela dupla Bolsonaro e Guedes, vai na direção oposta, que tende a agravar a crise. Prisioneiro dos dogmas liberais e dos interesses das classes dominantes, em contradição com os anseios do povo e os interesses nacionais, insiste na falácia do Estado mínimo e aposta na destruição do Direito do Trabalho como caminho para atrair investimentos estrangeiros quando o que mais se vê é fuga de capital.

Sem derrotar o atual governo e mudar radicalmente a política econômica a nação continuará descendo a ladeira da degradação e da barbárie.

Umberto Martins para o site da CTB.