Ex-deputado estadual desmatou área superior mais de 214 Maracanãs no Xingu.

Da Revista Veja

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apurados pela Veja, mostram que a região do Parque do São Félix do Xingu foi onde aconteceram quase 13% dos incêndios da floresta nos últimos doze meses. A situação já demandava uma atenção maior do governo federal desde o ano passado, quando foram emitidos 2 300 alertas de áreas desmatadas para São Félix do Xingu, o maior número registrado no país.

Uma operação do Ibama em conjunto com o Exército flagrou, nesta região, um dos maiores crimes ambientais cometidos na história brasileira. Um total de 5 157,23 hectares, o equivalente a 214 Maracanãs, foram queimados ilegalmente. De acordo com as investigações, que se encerraram recentemente, o desmatamento na área de proteção ambiental Triunfo do Xingu foi financiado por um influente personagem da política goiana: o ex-deputado estadual Daniel Messac de Morais (PTB).

A devastação ambiental empreendida na região é tamanha que o Ibama imputou a Messac uma multa de 50 milhões de reais. O valor é o máximo que o Instituto pode cobrar dos infratores e só havia sido aplicado uma vez na história.

Interpelados pelos agentes, os desmatadores afirmaram que as contratações de pessoal e as estratégias de logística e de execução do desmatamento eram todas comandadas por um homem chamado Nadir. Embora não tenha sido localizado, ele foi identificado pelo caseiro da Fazenda Castanheira como o gerente da propriedade pertencente a Messac.

Os desmatadores também confessaram aos agentes que Nadir obedecia ao capataz Cleuberto José de Lima, que visitava o local com frequência e era o responsável por supervisionar o andamento da devastação. Lima, que é conhecido na região pelo apelido “Pila”, mantém laços estreitos com Messac.

Em abril de 2014, o Ministério Público de Goiás deflagrou a Operação Poltergeist para investigar desvios de verba pública na contratação de funcionários-fantasma em gabinetes da Assembleia Legislativa do estado (Alego). Entre os alvos estava Messac, que à época era deputado estadual.

O MP-GO descobriu que Lima foi comissionado na Assembleia entre 2010 e 2013, mas nunca deu expediente no local. Em vez de bater ponto em Goiânia, grampos telefônicos e e-mails obtidos pelos investigadores mostraram que ele administrava a fazenda de Messac no Pará.