A antiga Vila Boa, que foi elevada a Patrimônio da Humanidade em 2001, iniciou em 1950 o caminho para preservação de sua arquitetura colonial.

No dia 14 de dezembro de 2001 a cidade de Goiás, antiga Capital do Estado, recebeu o título de  Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que reconheceu a importância do conjunto arquitetônico formado por casas, igrejas e monumentos históricos.

Antiga cadeia,quadro em areia colorida, exteaida da Serra Dourada pela artista plástica Goiandira do Couto

Em abril de 1950, foram inscritos nos Livro do Tombo de Belas Artes os primeiros imóveis vilaboenses. Nesta data foram tombadas as igreja Nossa Senhora da Boa Morte (inscrição de número 356), Igreja Nossa Senhora do Carmo (inscrição 357), Igreja Nossa Senhora D’Abadia (inscrição 358), Igreja São Francisco de Paula (inscrição 359) e Igreja Santa Bárbara (inscrição 360).

O debate pela preservação do núcleo histórico da cidade de Goiás, no entanto, tem origem em 1939, através dos debates travados entre Lacerda de Athayde e D.L. Santana no jornal Cidade de Goyaz, mas foi a partir do jornalista paulista José Brito Broca, que em artigo intitulado “Visão de Goiânia” publicado em 1942 na revista Cultura Política, que se dá início a um conjunto de ações visando a conservação de bens culturais existente na cidade .

Entusiasmado com a sugestão de Brito Broca, Paulo Augusto Figueiredo (Presidente do Departamento Administrativo do Estado de Goiás), telegrafa a diversas autoridades estaduais e federais, propondo o encaminhamento da questão.

A resposta do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), é dada em 10 de fevereiro de 1943 e afirma que a cidade se encontrava “gravemente desconfigurada” e que o pedido de tombamento não parecia ser acertado.

Não obstante, em função de “louvável aspiração”, o Diretor do DPHAN Rodrigo de Melo Franco de Andrade aponta para necessidade de se realizar estudos mais aprofundados, sendo que este seria realizado pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Tal estudo só foi realizado em 1948 por Edgard Jacinto da Silva, no qual evidencia que 65% das edificações da antiga capital não sofreram qualquer alteração e 30% passaram por mudanças parciais, sendo que as alterações mais comuns foram a substituição de beirais por platibandas. Somente 5% das edificações eram completamente estranhas ao partido arquitetônico encontrado.

Baseado na pesquisa de Edgard Jacinto da Silva há em 195O os primeiros tombamentos na antiga Vila Boa, ampliados no ano seguinte (1953), incorporando edifícios civis (casa de câmara e cadeia, o palácio dos governadores), bem como o conjunto arquitetônico e urbanístico do largo do chafariz e da rua da fundição .

O título de Patrimônio da Humanidade alcançado no início deste novo século, é resultante de esforços de longa data, no qual vale a pena rememorar e não deixar cair no esquecimento .

Texto : Águas do Cerrado (GWATÁ – UEG)

Fonte : MORAES. R.S. Goiás : Os antecedentes da Patrimonialização.

 

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Goiandira Aires do Couto – A Artista das Areias