Lideranças políticas e públicas reagiram à irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro que no domingo incentivou manifestação golpista  contra a democracia pelo fechamento  do Congresso e do STF em pleno surto do coronavirus.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, foi às redes sociais na noite deste domingo 15/III para criticar a participação de Jair Bolsonaro nos (fracassados) atos golpistas de domingo 15/03, em meio ao avanço do surto do novo coronavírus:

 

Hoje, a democracia brasileira sofreu mais um duro ataque. O próprio presidente, entusiasmado com os apelos pelo fechamento do regime, desconsiderou as recomendações das autoridades sanitárias para celebrá-lo. Se não é caso de impeachment, é de interdição. Postura lastimável!!

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também repudiou a postura de Bolsonaro.

 

“O mundo está passando por uma crise sem precedentes. O Banco Central americano e o da Nova Zelândia acabam de baixar os juros; na Alemanha e na Espanha, os governos decretam o fechamento das fronteiras. Há um esforço global para conter o vírus e a crise. Por aqui, o presidente da República ignora e desautoriza o seu ministro da Saúde e os técnicos do ministério, fazendo pouco caso da pandemia e encorajando as pessoas a sair às ruas”, afirmou Maia em nota.

“Isso é um atentado à saúde pública que contraria as orientações do seu próprio governo”, continuou o presidente da Câmara.

O ex-ministro Ciro Gomes também detonou no domingo 15/III Jair Bolsonaro por incentivar as manifestações golpistas contra o Congresso e o STF mesmo em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus. Pelas redes sociais, Ciro compartilhou uma notícia sobre o número de mortos por covid-19 na Itália.

“Enquanto isto este canalha irresponsável que nos governa estimula seus fanáticos a se aglomerarem e aumentar o risco para eles e para tds. Bolsonaro, irresponsável, em duas semanas estaremos iniciando o pico da infecção no Brasil! Vai trabalhar, vagabundo!”, escreveu Ciro no Twitter.

Critica

jornalista Kennedy Alencar, da CBN, manifestou-se no Twitter sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações do último domingo (15/III).

Para o jornalista, “o comportamento do presidente foi criminoso”.

“Comportamento de Bolsonaro hoje não foi irresponsável, mas criminoso. Contrariou todas as recomendações médicas, até as que Trump segue, e transmitiu imagem de desprezo por uma crise de saúde que vai afetar a população. Despreparo e crueldade não deveriam ser mais aceitas”, enfatizou Kennedy na rede social.

Nem o apresentador de TV José Luiz Datena, recém-filiado ao MDB, deixou de criticar a participação de Jair Bolsonaro nos atos do último domingo (15).

“Estou perplexo, até porque ele tem ainda testes para fazer [de coronavírus]. Ele está se colocando em risco, contrariou norma médica. É um péssimo exemplo contrariar ordem médica no meio de um surto”, disse Datena em entrevista à Folha.

Postura de risco e irresponsável 

Estadão fez uma análise da participação do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações do último domingo (15/III).

De acordo com o jornal, o presidente teve contato direto com ao menos 272 pessoas em cerca de 58 minutos de interação com apoiadores na frente do Palácio do Planalto.

“Bolsonaro manuseou ao menos 128 celulares, trocou ao menos quatro objetos com a plateia, entre eles um boné, que vestiu, e cumprimentou 140 pessoas. Parte dos cumprimentos, nos primeiros 50 minutos do vídeo, são com “soquinhos” nas mãos das pessoas ou mesmo apertos de mãos. Nos cinco minutos finais de interação, o presidente alcança pelo menos 80 apoiadores correndo com a mão estendida e cumprimentando várias pessoas na sequência”, informa o Estadão.

Ainda de acordo com o jornal:

“Bolsonaro manuseou ao menos 128 celulares, trocou ao menos quatro objetos com a plateia, entre eles um boné, que vestiu, e cumprimentou 140 pessoas, segundo o levantamento do Estado. Parte dos cumprimentos, nos primeiros 50 minutos do vídeo, são com “soquinhos” nas mãos das pessoas ou mesmo apertos de mãos. Nos cinco minutos finais de interação, o presidente alcança pelo menos 80 apoiadores correndo com a mão estendida e cumprimentando várias pessoas na sequência.

Infectologistas e até aliados próximos de Bolsonaro reprovaram a atitude. Segundo especialistas em doenças infecciosas, o presidente errou ao ignorar a recomendação de isolamento e expor os manifestantes ao risco de contaminação pela covid-19 (caso esteja com o vírus incubado); ao não proteger a si próprio e ter contato com uma aglomeração que pode incluir pessoas infectadas; e ao não dar o exemplo à população de que deve ser levada a sério a orientação feita pelo Ministério da Saúde para que se evite aglomerações.

Ainda de acordo com especialistas, não é só o contato direto que transmite o coronavírus. Gotículas de saliva de uma pessoa infectada também podem passar o vírus.

Ao interagir com os manifestantes, Bolsonaro ignorou a orientação de sua equipe médica e as diretrizes do Ministério da Saúde para o combate ao coronavírus. Ele deixou o isolamento que deveria fazer por ter se encontrado, semana passada, com ao menos 11 brasileiros que já tem a doença.”