Postagens do prefeito de Aparecida de Goiânia questionando a falta de ação do governo estadual em relação a alta gasolina faz governador criar grupo de estudos para discutir mudanças no ICMS para rever a pauta dos combustíveis em Goiás.

Líder da Oposição ao Ludoviquismo, o deputado federal Alfredo Nasser dizia que “é a oposição quem faz o governo se mover”. Nada mais certo. Nasser sabia do que dizia. Foi deputado estadual, deputado federal, senador e Ministro da Justiça. Um busto com sua imagem está na entrada do Palácio Alfredo Nasser, sede do Poder Legislativo Goiano.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB) exercitou a máxima de Nasser ontem, ao postar no seu Instagram, mensagem questionando o aumento do combustível (pela nona vez), destacando o fato de que a gasolina de Goiás é mais cara do que no Rio de Janeiro.

 

A cobrança de Mendanha procede, pois durante a campanha eleitoral de 2018, o então candidato Ronaldo Caiado (DEM) criticava o ICMS dos combustíveis em Goiás.

Num twitter, de 2017, Caiado dizia:

Goianos foram às ruas protestar contra o aumento abusivo do combustível. É a 2ª gasolina mais cara do País! Só perde para o Acre. E o que contribui para isso? O ICMS de 30% cobrado pelo governo Marconi. Se você não aguenta mais, junte-se a nós para mudar essa realidade de Goiás

 

Noutro Caiado volta à carga: A questão do pedágios em Goiás é mais uma situação de desespero do governador. Goiás foi o estado que mais aumentou carga tributária. Vimos aumento de ICMS, a volta da máfia da troca de placas pelo Detran. O governo está sempre inventando uma forma de assaltar os goianos.

 

Após o movimento de Gustavo, o governador Ronaldo Caiado anunciou a criação de um grupo formado por  técnicos da Secretaria de Estado da Economia, além de representantes da Federação Goiana de Municípios (FGM), da Associação Goiana de Municípios (AGM) e da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), para um estudo sobre a viabilidade da redução do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre a gasolina em Goiás. A alíquota atual, em vigor desde 2016, é de 30%.

“Temos que achar uma solução e não é apenas o Estado. Eu sempre governo de forma conjunta, ouvindo os prefeitos, presidente da Alego para que a gente chegue a um bom entendimento a respeito do assunto”, disse Caiado em entrevista coletiva ontem (17/8), durante compromisso na sede da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Caiado é aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, que neste ano aumentou nove (9) vezes o preço do combustível. Bolsonaro impôs na Petrobras uma política de preços exdrúxula, pois dolarizou o preço do combustível sem considerar que o Brasil é hoje um dos maiores produtores de petróleo do.mundo, e, portanto, não faz sentido submeter o preço do combustível brasileiro a oscilações da moeda estrangeira.
Bolsonaro, que nunca assume suas ações,  tem culpado os governadores pela alta dos combustíveis, jogando na aliquota do ICMS dos Estados a culpa pelo preço alto nas bombas dos postos.
Caiado, portanto, pode dizer que não está respondendo Gustavo, mas obedecendo ao presidente que elegeu quando se propõe a analisar a aliquota do ICMS.
Qualquer que seja a desculpa, o consumidor agradece se os preços baixarem nos postos.