Levantamento revela que faturamento teve queda média de 80,1%, capital de giro é insuficiente, retomada pós-pandemia pode demorar de dois a três meses; isolamento social divide empresários, mas aumenta a preocupação com o coronavírus à medida em que aumenta o número de infectados. A pesquisa completa está sendo publicada simultaneamente nesta edição do Onze de Maio e também no jornal Diário da Manhã.

Marcus Vinícius

A  pedido das entidades empresariais (FIEG, ACIEG, ACIJ, FACIEG ACC), o instituto Grupom realizou a pesquisa “Covid19 – Empresários Goianos: O efeito do impacto nos empresários”. O levantamento foi realizado no fim de abril e início de maio, e ouviu empresários na faixa dos 22 ao 70 anos, por meio eletrônico, totalizando 1.830 entrevistas, com margem de erro de 2% para mais ou para menos.

Impacto

Para 76,2% dos empresários entrevistados, a pandemia do coronavírus teve impacto muito muito forte (50,4%) ou forte (26,2%) nas suas empresas. A metade (50,4%) respondeu que suas atividades foram completamente paralisadas. Mais de um terço (38,4%) disseram que paralisaram parcialmente  e 11,1%  afirmaram que não paralisaram porque as atividades estavam entre as cadeias produtivas consideradas essenciais.

Quanto menor a empresa, maior a paralização. A maioria das MEI´s (Micro e pequenas empresas individuais), 64,3% ficaram totalmente paralisadas; este número fica em 54,9% entre as microempresas; 47,7% nas pequenas; 35,8% nas médias e 38,5% das grandes empresas. Na situação inversa; 25,6% das grandes empresas puderam manter o funcionamento; entre as médias este percentual cai para 22,6%; reduz a 12,1% das pequenas empresas, 6,4% das micro e 3,4% das MEIs.

O período de isolamento social, mês de abril, deixou os empresários mais impactados, com a soma das avaliações forte e muito forte, variando nas três dezenas do mês em 75,7%, 77,7%, 76,9%, até chegar a 76,6% na primeira semana de maio.

Faturamento

A maioria dos entrevisados estima em 80,1% a queda no faturamento. Para as grandes empresas, este percentual corresponde a 66,3%  das vendas e encomendas; nas médias empresas, a estimativa foi de um recuo de 70,7%. O percentual é praticamente o mesmo entre as pequenas (84,7%) e microempresas (84,5%). E nas Micro Empresas Individuais (MEI), a redução foi de 77,7%.

Capital de giro

O caixa ou capital de giro das empresas foi duramente afetado. Em média os empresários alegam que tem capital para apenas 33 dias de funcionamento. Este número varia conforme o tamanho das empresas. Entre as grandes, a avaliação é de que o caixa é suficiente para manter a operação por 64 dias; as empresas de médio porte tem previsão de 51 dias; as pequenas, 19 dias; microempresas, 28 dias e as MEI, 37 dias.

Retomada

Para retomar as atividades nos níveis anteriores à pandemia, os empresários estimam que serão necessários, em média, 73 dias. Nas maiores corporações este número é reduzido para 60 dias; nas médias, 69; pequenas (76), micro (71) e MEI (75).

Governo

O Grupom também questionou qual foi o impacto das decisões dos governos Federal, Estadual e Municipal sobre as suas atividades. Para 50,4% foi “muito forte); 26,2% consideraram “forte”, 15,4% respondeu que foi “mediano”; 2,1% avaliaram como “fraco”. Somente 2,4% consideram que não houve impacto e 2% não souberam avaliar. A percepção de que a mão do governo pesou demais ou foi “muito forte” caiu ao longo dos meses de abril e maio de 54% para 37,5%, enquanto os que avaliaram que foram medidas “fortes” se estabilizaram em 39,1%.

 

Isolamento social

O impacto nos negócios gera uma apreensão em relação ao isolamento social. Questionados se são contra ou a favor à medida, 12,6% responderam que são totalmente contra; 62,9% parcialmente a favor; 22,7% totalmente à favor e 1,8% não souberam avaliar. Mas aqui, cabe um dado relevante: à medida que a pandemia avança, o número dos que são TOTALMENTE À FAVOR aumenta a cada dezena do mês, passando de 20,3 %, no período de 1º a 9 de abril para 20,9% (10 a 19), 26,6% (20 a 30) e 33,3% (1º a 5 de maio). Da mesma maneira, cai o percentual dos TOTALMENTE CONTRA, de 14,7% no começo de abril para 4,8% no início de maio, ficando estável em 61,9%  o percentual dos que são parcialmente a favor.

Coronavírus

O Grupom perguntou aos empresários sobre o grau de preocupação com o coronavírus, a imensa maioria (86,5%) levou à sério a pandemia, pois 42,7% disseram que estão muito preocupados, 43,8% responderam que estão preocupados. Apensas 5,9% responderam que estão indiferentes e 7,7% que não se preocupam. Novamente a evolução do número de infectados impacta nas avaliações. Os “muito preocupados” aumentam para 51,9% em maio e os indiferentes ou sem preocupação, que somavam 13,6% cairam para 7,6%.

Quando perguntados se “você conhece alguem dassua empresa, amigos ou parents com sintomas do coronavírus”, 88,3% responderam que não e 11,7% que sim. Esta resposta também é influenciada com o passar do tempo, e ao final da pesquisa, em maio, o “não” caiu para 81,8% e o sim aumentou para 18.2%.

Perfil das empresas

A maioria das empresas que participaram do questonário (43,9%) estão localizadas fora do Centro de Goiânia; 34,9% estão no Centro, 11,7% em outros locais, 3,6% em distrito industrial; 1,9% na zona rural; 2,8% em shoppings, 06% em camelódromo e 0,6% em feiras. As grandes empresas correspondem a 2,9% da amostra; as médias a 11,8%; pequenas empresas são 26,9%; microempresas, 40,9% e as MEI, 17,5%.

Grupom

De acordo com o GRUPOM, a pesquisa foi realizada no mês de abril e inicio de maio de 2020, percebendo o  impacto junto ao empresariado estabelecido no Estado de Goiás, tomou a iniciativa de fazer um levantamento dos pontos importantes e cruciais para cada dirigente empresarial.

As entrevistas foram realizadas por três métodos distintos de coleta. O primeiro método, foi por telefone, onde abordamos diretamente e conversamos ativamente e eles responderam ao nosso questionário, com a maior riqueza de informações possíveis. O segundo modelo e que obtivemos o maior número de respostas, elaboramos o questionário que fosse auto respondível e contatamos por e-mail, mais de 15 mil dirigentes de empresas, sendo que obtivemos um índice de respostas mais do que satisfatórios (12,2%).

A média de respondentes, neste modelo de questionário auto respondível  normalmente não ultrapassa aos 4% dos e-mails enviados em pesquisas em todo o Brasil.

O terceiro método foi usamos as redes sociais, com filtros específicos em busca de dirigentes empresariais, onde conseguimos uma quantidade respostas satisfatórias, mas, também obtivemos nestes filtros, a maioria dos que se apresentaram como ex-dirigente empresarial conforme descrito em nossa apresentação metodológica.

O resultado deste trabalho será divulgado por etapas de acordo com a importância e a relevância do tema a ser tratado. A primeira apresentação é sobre como será o fim do processo de
isolamento da população e a sua volta a ter o público esperado.