Pesquisa mostra elevado número de indecisos para escolha do voto para vereador: 77,3% ainda não tem candidato. Na espontânea  57,5% estão indecisos.

Marcus Vinicius de Faria Felipe

Nos anos 1980 era comum a expressão “ninguém é de ninguém”, que era usada para dizer que numa mesa de bar ou numa festa as pessoas estavam sem compromisso umas com as outras. Nestas eleições uma parte considerável dos eleitores se comporta assim. É o que mostra a pesquisa do Instituto Grupom divulgada nesta sexta-feira (09/10).

O grupom perguntou sobre a “firmeza do voto” e 11% dos entrevistados disseram que estão “firmes e decididos no nome que escolheram, porém a maioria deles, 65,5%, tem um segundo nome, ou seja, podem mudar o voto até o dia da eleição; 12,5% se declararam indecisos e 10,3% afirmaram que podem votar em branco ou anular o voto.

Sem candidato a vereador

O goianiense está muito indeciso na escolha do seu candidato a vereador. Absurdos 77,3% não definiram um candidato, apenas 21,3% declararam que já tem uma opção.

Na análise por meso-regiões da Capital o Grupom identificou que os eleitores mais indecisos na escolha do vereador estão nas regiões Noroeste, com 80,8% de indecidos e na Oeste (80,7%). A região Leste tem menos indecisos (69,2%), seguida pela Centro-Sul (78,3%).

Tendência de mais de 40% de abstenção

Na pesquisa sobre rejeição,  outro dado chama a atenção: 31% dos entrevistados declararam que rejeitam todos e 10,3% afirmaram que não votará em nenhum candidato, ou seja 41,3% dos goianienses podem não votar, e até mesmo absterem-se de votar. Isto por si representa um grande desafio para todos os candidatos.

Para o diretor do Grupom, Mario Rodrigues Neto, “um possível aumento da abstenção e consequente redução dos votos válidos poderá alterar a quantidade de votos necessários para que um vereador seja eleito. Isso pode significar uma vantagem para aqueles nomes que já são mais conhecidos pela população, ou para aqueles que desenvolvem e têm um trabalho consolidado junto à sua base eleitoral ou para aqueles que tentarão a reeleição (e são bem avaliados por seus eleitores). Seja como for, é muito provável que nomes novos ou desconhecidos tenham maior dificuldade para ascender à Câmara de Vereadores de Goiânia caso se confirme o aumento da abstenção”, observa.

Indecisos

O número de indecisos na espontânea é alto: 57,5%. Na estimulada, 12,5%. Os votos branco/nulo somam 6,8% na espontânea  e 10,3% na estimulada, o que confirma, mais uma vez, que o eleitor ainda não firmou seu voto.

Numa campanha atípica, com pandemia, isolamento social, que impede comícios e campanha corpo-a-corpo, o desafio dos candidatos é fazerem-se conhecidos e levarem suas propostas a cada um.

Avaliação

Mário Rodrigues Neto entende que “para os candidatos que disputam a majoritária há a evidente redução da possibilidade que a eleição seja decidida em apenas 1 turno. Também terá que ser trabalhado a necessidade e a importância dos eleitores comparecerem no dia 15 de novembro, uma vez que, havendo uma disputa acirrada em primeiro turno os votos dos eleitores potenciais, e que podem decidir simplesmente ficar em casa, podem ser decisivos para a definição para um provável segundo turno e mesmo para a eleição em si”, conclui.

Conhecimento e desconhecimento

Os números dos candidatos mostraram apenas o conhecimento que o eleitor tem sobre eles. O senador Vanderlan Cardoso (PSD) é por certo o mais conhecido, por ter disputados duas vezes o governo do Estado (2010 e 2014), e está na segunda disputa à prefeitura de Goiânia (foi ao segundo turno com Iris Rezende em 2016) e foi eleito ao Senado em 2018.

A Delegada Adriana Accorsi (PT) está na segunda eleição para prefeita e venceu duas para deputada estadual  sendo a mais votada na Capital.

O ex-prefeito Maguito Vilela (MDB) é o mais desconhecido do eleitorado de Goiânia. Ele foi prefeito de Aparecida de Goiânia eleito em 2008 e reeleito em 2012, portanto está a oito anos sem disputar uma eleição.

Estes são os dados que o Grupom trouxe, e eles devem balizar o voto do eleitor neste pleito.

 

Metodologia:

A pesquisa Grupom foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sob o número 04033/2020 em 03/10/2020.O Grupom entrevistou 591 pessoas entre os dias 03 a 07 de outubro. A margem de erro é de 4,4 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança de 95%.