Pesquisa mostra que  piora a sensação de insegurança, aumenta o medo do desemprego e cai a expectativa da população em relação à qualidade de vida

O Instituto Grupom divulgou a sua segunda rodada da pesquisa sobre as expectativas da população em relação ao ano de 2019, em comparação ao ano anterior, 2018. Segundo o diretor-presidente do Grupom, Mário Filho, ” foi realizada a mesma pesquisa no inicio do mês de  dezembro e repetida no final do mês de abril de 2019, buscando avaliar as expectativas dos goianos com relação as mudanças politicas, sociais e econômicas ocorridas nestes últimos 3 meses e sua expectativa em 2019″.
O levantamento feito pelo instituto revela que entre os meses de dezembro e abril, aumentou o número de goianos que avaliam que o ano de 2019 será pior do que o de 2018, na mesma proporção em que houve redução do otimismo em relação aos governos do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e do governador Ronaldo Caiado (DEM).
 
Queda no otimismo
Em dezembro de 2018  a pesquisa trouxe o seguinte resultado: 76,5% acreditavam que 2019 seria um ano melhor do que 2018; para 6,5% seria pior; outros 12,8% acreditavam que seria igual e 4,5% não souberam opinar. Passados quatro meses o número dos otimistas caiu para 62,7%, ou seja, uma queda de  13,8 pontos percentuais naqueles que acreditaram que o 2019 será melhor do que 2018. Os pessimistas passaram de 6,2% para 15%, numa alta de 9,8 pontos percentuais na expectativa de um ano pior. Entre os que avaliam que 2018 será igual a 2019, houve aumento de 8 pontos percentuais, de 12,8% para 20,8%, e uma queda de três pontos percentuais naqueles que não sabiam responder (de 4,5% para 1,5%), que certamente migraram para um dos dois pólos da pesquisa.
Bolsonaro e Caiado
As “tuitadas” de Carluxo (Carlos Bolsonaro, filho que cuida das redes sociais do presidente) e o atraso no pagamento do mês de dezembro arranharam a imagem do presidente Bolsonaro e do governador Caiado.
Bolsonaro se desgastou mais. Em dezembro, 78,9% dos entrevistados acreditavam que sua administração iria contribuir para o ano de 2019 ser melhor do que 2018. Este número se reduziu a 63,6%, que ainda é alto, mas a queda não é desprezível: 14,8 pontos percentuais.  O número dos pessimistas, no entanto, dobrou, passando de 11,5%  para 21,4%.
Em relação a Caiado, os otimistas caíram de 74,5% para 66,5% (oito pontos percentuais), mas os pessimistas triplicaram: os  4,9% que consideravam em dezembro que este ano de 2019 seria pior do que o ano passado saltaram para 13,6%. Mais impactante ainda foi a redução drástica dos indecisos, que despencou de 13,6% para 1,9%.
Na opinião de Mário Filho, “os executivos máximos do País e do Estado foram eleitos com grandes expectativas, com a esperança de que as mazelas percebidas pela população seriam “resolvidas” rapidamente a partir da posse do “salvador”, mas a realidade e as dificuldades intrínsecas do processo da governabilidade não permitiram que os eleitos dessem celeridade aos processos de mudança. A população por sua vez não compreende a causa, mas indica o efeito, tendo a sua esperança dissolvida com o tempo”, adverte.
Qualidade de Vida/Saúde
Chama atenção também o aumento da percepção pessimista dos goianos em relação à  qualidade de vida. Houve uma queda significativa, de 78,4% de avaliações positivas para 59,7%, ou seja, 18,7 pontos percentuais, ou um quarto de pessoas que deixaram de avaliar que 2019 será melhor do que 2018. Boa parte deste otimistas podem ter migrado para o grupo crítico. Em dezembro, 3,1% manifestaram convicção que 2019 seria pior, e agora, em abril, este número multiplicou-se por cinco e chega a 16% dos entrevistados, enquanto os indecisos oscilaram de 1,5% para 1%.
 Para Mário, “nos últimos anos o cidadão reclama e tem enfrentando o colapso da saúde pública, esse fator levou a obter o índice mais elevado no estudo de 2018 e justifica a queda acentuada no estudo de 2019, pontua.
Segurança Pública
A sensação de insegurança e medo está presente na maior parte da população seja por efeito dos elevados índices de criminalidade ou pelo efeito da super exposição da violência pela mídia, avalia o pesquisador. Houve queda de expectativa positiva de 77,5% para 67,5%,  aumento da negativa de 4,9% par 10,2%, assim como dos que apostam que tudo ficará igual, que subiu de 13,9% para 20,9%. Provavelmente o projeto de liberar geral a compra de armas não foi bem recebido pela população.
Emprego x desemprego
Mário Filho informa que “em pesquisas realizadas neste ano e anos anteriores, a GRUPOM constatou que quando o indivíduo é perguntado sobre ter algum membro residente no domicílio em situação de desemprego, uma parcela significativa afirmou que, naquele domicílio, havia um desempregado e que este não conseguia retornar ao mercado de trabalho. Esta informação, dada no estudo de 2018, indica que a situação geral da economia e do emprego tiveram uma piora significativa em sua percepção e expectativa de 2018 para 2019. Este é aspecto mais caro ao goiano e em relação ao qual suas esperanças de melhoria vão se dissolvendo com o passar dos meses”, alerta.
Os números mostram que reduziu-se de 73,5% para 56,3% (17,2 p.p.) o  percentual dos goianos que acreditavam em melhores condições de emprego neste ano. Neste mesmo fluxo, dobrou o entendimento de que 2019 será pior que 2018 quando o assunto é emprego ou desemprego, de 6,6% para 14,1%.
Economia
Não há emprego se não houver reativação da economia. O Brasil tem 1.400 obras federais paralisadas. Em Goiás os números são divergentes, e estima-se em pelo menos uma centena. O senso comum da população é de que o país e o Estado estão parados, e que o dinheiro não está circulando na velocidade necessária. E isto é demonstrado na pesquisa, onde caiu de 74,5% para 66,5% a crença num ano melhor e triplicou de 4,9% para 13,6% a estimativa de um ano pior.
Fim da lua-de-mel
O entendimento de Mário Filho é que os números mostram que os governantes vivem o final de sua “lua de mel” com o eleitor, que está mais crítico, mas ainda conserva, findo o primeiro trimestre de 2019, boa  boa parte da esperança de melhoria identificada ao final de 2018. “Ou seja, apesar da piora, ainda há confiança e espaço para o desenvolvimento de uma relação positiva com a população em função dos resultados futuros”, frisa.
Metodologia 
Pesquisa realizada no mês de abril por meio eletrônico com um  questionário estruturado utilizando o sistema de coleta “CATI” e pós ponderada por gênero, idade, região de moradia, renda e escolaridade.
 
Tamanho
Foram feitas 459 entrevistas para identificar/analisar o cenário sócio/econômico e político do próximo ano, segundo a população entrevistada.
Público alvo
Moradores do Estado de Goiás, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 16 anos e máximo de 85 anos de todas as classes econômicas.