Chegou o momento do zeitgeist, é o momento em que você tem que ter um nível de consciência e informação que exige uma ação efetiva”, disse Carlos Bocuhy.

RBA – São Paulo – A Greve Global pelo Clima, que vai mobilizar várias cidades no mundo nesta sexta-feira (20), poderá entrar para os anais da História como uma manifestação do espírito desta era da civilização. Foi o que disse o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, ao considerar que essa manifestação é o “momento do zeitgeist”, palavra que se refere ao espírito de uma época, ou aos sinais dos tempos.

“Chegou o momento do zeitgeist, é o momento em que você tem que ter um nível de consciência e informação sobre a questão climática que exige uma ação mais efetiva, mais imediata e com o envolvimento das comunidades”, afirmou Bocuhy, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

A mobilização que protesta contra as mudanças climáticas e sai em defesa dos recursos naturais é uma resposta também ao governo Bolsonaro, que tem feito vários ataques do trabalho de defesa ambiental desde a campanha eleitoral do ano passado. Estão entre os seus alvos, “os povos originários, a Amazônia, o cerrado, a agroecologia e as iniciativas que propõem novas relações entre ser humano e natureza”, afirma texto na página do evento que convoca a população.

“O que nós estamos assistindo é o abandono da agenda ambiental e isso tem uma séria implicação na questão da fiscalização e do controle social pelo Estado, no sentido de proteger minorias que estão envolvidas, e vulneráveis diante da proteção dos recursos naturais”, afirma Bocuhy.

Bocuhy destaca o exemplo da jovem ativista sueca Greta Thunberg, que desde o ano passado, às sextas-feiras, protesta diante do parlamento sueco em defesa do clima, e inspirou a mobilização desta sexta. “Hoje o mundo se reaquece nessa perspectiva, com o envolvimento dos jovens, que são aqueles mais interessados pelo nosso futuro, e que isso seja determinante para trazer as políticas ambientais que nós não temos ainda”, afirmou.

“Veja os prejuízos que o Brasil tem atualmente com o abandono da agenda ambiental. E aí todos os processos, e não apenas os de mitigação de mudanças climáticas, mas também de prevenção com relação à adaptação de mudanças climáticas estão completamente abandonado”, disse ainda. “Isso custará muito caro no futuro, porque diante da emergência climática cada gestão de governo que se perde para tomar uma medida mais efetiva com relação à adaptação representa bilhões de reais de prejuízo para o futuro.”.

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