Os órgãos do governo federal responsáveis pelo abastecimento de energia do país sabiam que a subestação SE Macapá, atingida por um incêndio há dez dias, operava acima do limite há cerca de dois anos.

Conforme publicado pelo Valor Econômico, documentos do Ministério de Minas e Energia, do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) demonstram que a subestação não teria condições de religar imediatamente em caso de colapso.

O veículo teve acesso a um destes documentos, que mostra erros ainda no projeto de construção da SE Macapá. O relatório destacava que, além dos três transformadores trifásicos necessários para o funcionamento da subestação, era preciso um quarto transformador, que ficaria de reserva. Em caso de sobrecarga, o quarto transformador entraria em funcionamento.

No entanto, o edital do projeto, que foi contratado pela Aneel em 2008, exigiu apenas que a subestação contasse com três transformadores para “instalação imediata” e que somente houvesse “espaço” para abrigar quatro transformadores.

O apagão que assola o Amapá teve início quando um dos três transformadores da subestação pegou fogo e sobrecarregou o segundo. O terceiro, que era usado como reserva, já não estava funcionando.

Em decorrência do apagão, o Amapá iniciou um rodízio de fornecimento de energia, que tem a duração de seis horas. Diversos protestos eclodiram na capital Macapá, que teve as eleições adiadas.

Com informações do Sputnik News