O governo do presidente Jair Bolsonaro está matando o brasileiro pela boca e também vai matar no bolso: Está publicado no Diário Oficial que em menos de dois meses o Ministério da Agricultura autorizou o registro de 86 novos agrotóxicos no Brasil, muitos deles, proibidos na Europa e nos Estados Unidos. O resultado desta política é que os grãos brasileiros tendem a ser rejeitados no exterior, gerando prejuízos para produtores e riscos à alimentação.

O abuso do uso de veneno por parte do agronegócio brasileiro pode ter consequências nefastas para economia, com o cancelamento de importações.  Depois da China, a Rússia é o maior importador de soja e no início do mês de fevereiro o governo russo fez um comunicado denunciando o alto índice de agrotóxicos na soja brasileira.

O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia(Rosselkhoznadzor) informou que poderá suspender a importação de soja brasileira em função do descumprimento pelos produtores brasileiros dos limites de agrotóxicos nos grãos estabelecidos pelas autoridades de saúde russas.

A atual  ministra da agricultura Tereza Cristina (DEM-MS) é representante da bancada ruralista e conhecida na Câmara Federal pelo singelo apelido de “Musa de Veneno”. Quando ainda era parlamentar e presidente da comissão especial da Agricultura para avaliar o uso de agrotóxicos ela aprovou o “Pacote do Veneno”. No governo ela pôs em prática suas ideias suicidas para agricultura e para a sanidade da população consumidora de grãos, aprovado de maneira acelerada o uso indiscriminado de veneno na soja e em outros cultivares no país.

É mais uma péssima notícia para a agricultura brasileira que está perdendo mercado graças às políticas tresloucadas do presidente Bolsonaro e de seu chanceler Ernesto Araújo, que juntos resolveram brigar com a China e com a Liga Árabe, em nome das idéias boçais do charlatão Olavo de Carvalho, pseudo-filósofo que pôs na cabeça de Bolsonaro e Araujo que o Brasil deve romper o comércio com a  China e com os Árabes em favor dos Estados Unidos e de Israel. O resultado desta política imbecil é no final da semana passada a China anunciou compra de US$ 20 bilhões em soja, milho, trigo e carnes dos Estados Unidos, e no início de janeiro a Arabia Saudita cancelou compra de milhões de dólares em carne bovina e suína de frigoríficos brasileiros, conforme registrou o Onze de Maio na matéria “Agronegócio apoiou Bolsanaro, colhe prejuízo e Goiás pode ver a vaca ir para o brejo e a soja virar mato”.

O agronegócio, que investiu pesado na eleição de Bolsonaro está sendo penalizado exatamente pela falta de bom-senso na política externa desenvolvida pelo presidente e pelo seu chefe do Itamaraty. A continuar fazendo besteira atrás de besteira, o governo federal pode conseguir aquilo que ninguém acharia possível: quebrar a agricultura brasileira.

 

Venenosa demais

O  Pacote do Veneno,  bestialmente executado pela ministra Tereza Cristina tem por objetivo facilitar ainda mais o registro, produção, comercialização e aplicação de agrotóxicos.

 

 

“A,  ministra Tereza Cristina está usando o seu cargo para acelerar a entrada de agrotóxicos extremamente tóxicos no mercado brasileiro. Uma prova disso é que só em janeiro foram liberados 28 agrotóxicos e princípios ativos, entre eles, o Sulfoxaflor, que já foi banido nos Estados Unidos e agora só pode ser usado por lá em condições altamente controladas”, disse Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf);

Números

A Imprensa Nacional fez um comparativo com o número de licenças nos últimos 3 anos. De acordo com o órgão foram: 2016, 20 licenças; 2017 – 47 licenças; 2018 – 60 licenças; 2019 – 86 licenças (em 50 dias). “Boa parte dos princípios ativos liberados destes agrotóxicos são proibidos nos EUA e na Europa por terem relação comprovada com câncer, linfoma, malformações de embriões, distúrbios metabólicos, desregulação hormonal e problemas mentais”, afirmou o órgão de imprensa.

Lobby venenoso

O Greenpeace também está denunciando o envenenamento indiscriminado dos plantios no Brasil. A  organização  presente em mais de 55 países tem como principal bandeira a defesa do meio ambiente  e acompanha a publicação das portarias do Ministério da Agricultura.

“Em quatro atos publicados no Diário Oficial (nº 010407 e 10), o Mapa concedeu registro a 86 substâncias, o que significa, em média, 1,75 novos agrotóxicos por dia. O Ministério ainda acatou o pedido de registro de mais 241 novos produtos (atos 0205 e 08), que agora devem seguir para análise. Na prática, estamos vendo parte do Pacote do Veneno sendo empurrado goela abaixo dos brasileiros dia após dia”.

Matando o homem e o meio ambiente

Aprovado recentemente pela Ministra Musa do Veneno,  o Sulfoxaflor, que já teve seu registro caçado nos Estados Unidos por ser potencialmente danoso às abelhas. Outros dois ingredientes que preocupam a organização são o Mancozebe, utilizado em culturas de arroz, feijão, banana, milho e tomate, e o Piriproxifem, empregado em lavouras de café, melancia, melão e soja. “Os dois ingredientes são considerados extremamente tóxicos e seu uso segue autorizado em alimentos que fazem parte do nosso cotidiano”.

 

Redução de Agrotóxicos

Quem também está na luta exigindo o direito da população brasileira de ter uma alimentação de qualidade e livre de venenos é a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA), já aprovada em Comissão Especial na Câmara e que visa diminuir a quantidade de veneno no campo de forma gradual e responsável. O Projeto de Lei da PNARA (PL 6670/2016), instituiu em 13 de dezembro de 2016 a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos.

A PNARA esclarece o projeto de lei tem o objetivo de implementar ações que contribuam para a redução progressiva do uso de agrotóxicos na produção agrícola, pecuária, extrativista e nas práticas de manejo dos recursos naturais, com ampliação da oferta de insumos de origens biológicas e naturais, contribuindo para a promoção da saúde e sustentabilidade ambiental, com a produção de alimentos saudáveis.

Com informações do portal Voz Ativa.