Corte de gastos revisão de contratos suspeitos, enfase na arrecadação e sinalizações em favor da Educação e da Segurança tem efeito positivo, mas postura perante a imprensa e ao Legislativo tem ofuscado ganhos do governo.
Eleito no primeiro turno, com quase 60% dos votos, o governador Ronaldo Caiado (DEM) iniciou sua gestão com crédito junto à população. As primeiras medidas anunciadas no discurso de posse, como  a extinção da terceira classe na PM e  bombeiros, e equiparação dos policiais militares à mesa base salarial foi um acerto, ao dar dignidade àqueles que desempenham função de alto risco que exige valorização profissional.
Também foi acertado acabar com as indústrias da multa e do aluguel no Estado. o contrato dos radares nas rodoviais goianas há muito é visto com ressalvas pelos órgãos fiscalizadores, por suspeitas ser ligado a empresa de parentes de próceres do governo anterior. o aluguel de imóveis para secretarias também está eivado de suspeitas, e não por acaso a secretária de Educação tomou a decisão transferir para o Instituto de Educação  as atividades da Seduce, deixando o prédio onde está instalado na Avenida Anhanguera, pelo qual paga um aluguel mensal de cerca de R$ 450 mil mensais ou R$ 5,4 milhões por ano. Na mesma toada, o governo examina detalhadamente o contrato com as Organizações Sociais na Saúde, alvo de profundas críticas por parte de servidores, usuários e auditores.
Outro ponto positivo foi atender ao pleito dos professores de fazer o pagamento da folha de dezembro e manter a gratificação por assiduidade, o chamado vale alimentação de R$ 500,00, assim como o reajuste aos professores que prestam serviço através do contrato temporário e também fazer o chamamento dos 500 aprovados no concurso da Educação.
Mas o governo errou no debate sobre a folha de dezembro. O ponto principal é que o ex-governador José Eliton (PSDB) não empenhou a folha de pagamento. Este ato, por sí, pode e deve ser questionado , cabendo ao Ministério Público apurar responsabilidade. Mas é preciso dizer que o governador errou na maneira como transmitiu à população e aos servidores a intenção de parcelar o pagamento. Tudo que os servidores queriam é que o governador se comprometesse com o pagamento imediato, senão com uma parcela substancial do provento. O que se viu foi uma brecha para que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) emitisse nota enaltecendo suas gestões por não atrasar o pagamento da folha salarial.
O governo também errou na abordagem com os deputados estaduais e aliados. Não foi positiva a ida do governador à Assembleia Legislativa para entregar o projeto de reforma administrativa. Ao debater com deputados da oposição abriu fissuras que podem custar a eleição de um adversário na presidência da Alego.
Especialistas em marketing e pesquisa avaliam que o discurso do governo também está equivocado. Caiado foi eleito para ser o governador da mudança, e da retomada do desenvolvimento do Estado, mas ao invés de transmitir soluções aos problemas se ocupa somente em reverberar noticias negativas.
O governo perde a oportunidade de enfrentar situações negativas, como por exemplo, a questão tributária do Estado. Um dos maiores gargalos das receitas do Estado é a prática da venda de crédito de ICMS (Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços) por parte de empresas beneficiadas nos programas Produzir e Fomentar. Regular este mercado, que representa evasão de receitas é importantíssimo para dar transparência e moralidade à política de incentivos fiscais em Goiás.
O fisco goiano é eficiente. A secretaria da Fazenda do Estado de Goiás conta com um corpo técnico altamente qualificado com auditores, agentes fiscais, economistas e gestores, que conhecem bem os gargalos da arrecadação. Confiando no “próprio taco”, os servidores do fisco goiano apresentaram proposta ao governador Ronaldo Caiado (DEM) para ampliar em R$ 8 bilhões a arrecadação no Estado, combatendo a sonegação e promovendo equidade fiscal.
Há nos quadros do governo profissionais competentes na articulação política e na comunicação.  A impressão é de que falta timing nas suas ações. No futebol, além do treinamento e da qualificação de cada atleta, conta muito a preleção feita pelo técnico. É preciso combinar o jogo, fazer os últimos ajustes antes de por o time em campo. Sem diálogo com a equipe, com os deputados, presidentes de partidos e lideranças politicas, o governo corre o risco de acertar em decisões técnicas, porém não colher os dividendos políticos. Falta preleção. O que se vê é um técnico que conhece o jogo, mas parece que não transmitiu sua estratégia para os jogadores e para os torcedores.