Neste artigo o deputado estadual e ex- prefeito de Anápolis Antonio Gomide alerta para evolução da pandemia no Estado.

Goiás pede socorro

Por Antônio Gomide

O Governo de Goiás perdeu a mão no controle da pandemia do novo Coronavírus. Esta é a atestação que chegamos ao analisar o cenário goiano após quatro meses de crise sanitária e econômica.

Em um início com discurso de médico, com atitudes pioneiras para promover o isolamento, rapidamente o Governo Estadual retornou a uma agenda passiva, quase que ignorando a existência da Covid-19.

Não foram desenvolvidas políticas públicas emergenciais para garantir a segurança alimentar da população em risco social e tampouco uma renda mínima que encorajasse o cidadão a ficar em casa. Pedir a alguém que está passando fome para ficar em casa é desconhecer a própria realidade do estado.

O Governo de Goiás – terceiro maior produtor de grãos do Brasil – pode e deve dar a sua contribuição – a exemplo do que fez o Governo do Maranhão – para destravar o auxílio federal de R$ 600 junto à Caixa, facilitando e agilizando o acesso das pessoas ao benefício.

Mas, ao contrário, tornou-se espectador das parcas ações federais e refém do discurso economicista de que as pessoas precisam ir trabalhar a qualquer custo sob o lema de que “Goiás e o Brasil não podem parar”. A cidade italiana de Milão foi pioneira neste discurso e o prefeito, depois, teve de se desculpar publicamente do erro que cometeu.

Em um momento de crise aguda, a ausência de uma rede de proteção social fica ainda mais evidenciada. Nem mesmo os cortes do Bolsa Família em Goiás, ocorridos em março, tiveram reação do Governo. Posteriormente, o mesmo corte foi suspenso pelo STF após manifestação dos governadores da região Nordeste. A suspensão acabou por beneficiar a todo o Brasil, incluindo os estados que ficaram em silêncio.

Para além das famílias em situação de alto risco, também não há qualquer política pública para auxílio aos micro e pequenos empresários, base da economia nacional. Empregadores e empregados igualam-se em desalento.

Nem mesmo viu-se uma cobrança por agilidade do Governo Federal e do Congresso (os presidentes das duas casas são do mesmo partido do governador) por um plano de auxílio, uma vez que o projeto de recuperação anunciado até agora – e que sequer aconteceu – prioriza grandes empresas.

Não à toa, o Ministro Paulo Guedes, na tal reunião do dia 22, disse que ia ganhar dinheiro recuperando as grandes empresas e “perder dinheiro recuperando as pequenininhas”.

O alinhamento de Ronaldo Caiado ao Governo Bolsonaro, que começou com a retirada de direitos dos trabalhadores na Reforma da Previdência Estadual – uma cópia da federal – e moldado em diversas tentativas de retirar benefícios da população, mas que foram impedidos pela atuação da Assembleia Legislativa (como no caso da redução do Passe Livre Estudantil), parecem também ter chegado à atuação diante da Pandemia. É mais um capítulo de uma gestão demonstra distanciamento social das pessoas mais carentes e das necessidades da população.

O governo precisa passar credibilidade à sociedade de que irá fiscalizar para cumprir à risca as regras estabelecidas no processo de flexibilização a fim de evitar um contágio em massa pelo descontrole da retomada do funcionamento da economia.

É fundamental que o Governo Ronaldo Caiado ponha a mão na massa e promova um plano de auxílio social, alimentar e econômico às famílias, aos informais, aos desempregados, aos micro e pequeno empreendedores. Não é possível sentar e esperar uma solução.

Afinal, 70% da população brasileira – de acordo com pesquisa Datafolha – indicam que Bolsonaro está no caminho errado. Goiás não pode se alinhar com um pensamento político impopular como o bolsonarismo.

De mera cópia deste modelo, o Governo de Goiás precisa passar a ser protagonista das próprias ações, visando salvar vidas num momento em que, segundo as previsões, está chegando a hora do tão propagado ápice da curva de contaminação do Coronavírus, aumentando o número de casos e de mortes em Goiás.