Manchete de O Popular nesta sexta-feira não deixa dúvidas: a saúde pública em Goiás caminha para o colapso e o Estado é o 2º em aceleração no número de mortes.

Marcus Vinicius de Faria Felipe

Há um ano, neste mesmo mês março,o governador Ronaldo Caiado (DEM) tomou uma atitude sanitária correta: decretou o lockdown no Estado. Por 45 dias Goiás foi o pioneiro no isolamento social, desafiando a irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro que pregava contra as medidas de isolamento e de prevenção individual,  como o uso de máscaras.

Caiado desafiou Bolsonaro, chegou mesmo a romper publicamente com o presidente, mas, meses depois, diante das necessidades de verbas e da renegociação da dívida pública do Estado, reaproximou-se do presidente.

É compreensível a dificuldade de um governador de Goiás romper politicameente com um presidente da República. Porfírio Diaz, o líder revolucionário que libertou o México do jugo da Áustria cunhou a frase que diz muito sobre seu país:

“Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

É uma vantagem e um fardo a ligação umbilical entre Goiás e Brasília.  A cidade criada por Juscelino Kubstchek trouxe desenvolvimento para Goiás,  Centro-Oeste e o Brasil, mas para os goianos, o “quadradinho” tem além do bônus da proxidade com o  Poder Central, o ônus de conviver com seus humores e intrigas.

Como médico, Caiado rompeu com o presidente Bolsonaro quando este defenestrou do Ministério da Saúde o também médico Henrique Mandetta, que quando era deputado federal foi algoz do SUS (Sistema Único de Saúde), mas no ministério reviu sua posição reconhecendo a importância do sistema no combate a pandemia.

Caiado deveria ter rompido outra vez,  ou pelo menos ter advertido  Bolsonaro, quando o  presidente indicou o “General Pesadelo” para o Ministério da Saúde, depois de expulsar outro médico da pasta, Nelson Teich, o breve.

Não se brinca com saúde pública.

Não se ideologiza uma pandemia.

Loucura, irresponsabilidade, genocídio são adjetivos apropriados para o caos instalado pelo presidente e seu “ministro da saúde(?) cujo saldo da sua gestão (?) corresponde a 272 mil mortos, quase 12 milhoes de infectados e a expectativa sombria de 500 mil óbitos até julho, segundo previsão dos mais renomados cientistas do País.

Bolsonaro negou a vacina e dispensou, pasmem, 100 milhões de doses ofertadas pela Pfizeir, vacina que ao contrário das outras exige apenas uma dose!

É necessário um esforço hercúleo para recuperar o tempo perdido e salvar vidas.  O Fórum dos governadores,  da qual Caiado é signatário, propõe um lockdown nacional, a compra de vacinas e a centralização de uma campanha de imunização que garanta a vacina a  pelo menos 50% da população neste semestre, para reduzir a curva de mortes diárias, que já está  em terríveis 2,3 mil mortes/dia, e que se nada for feito chegará a 3 mi óbitos/dia.

Graças ao lúcido e responsável pronunciamento do ex-presidente Lula, o País viu Bolsonaro usar máscara pela primeira vez após meses criticando este equipamento de proteção simples, mas que tem sido a única defesa contra a Covid-19, uma vez que a vacina foi negada aos brasileiros por ação direta do presidente.

O médico deve falar mais alto que o governador para que Caiado preste mais uma vez, como o fez um ano atrás, um bom serviço a Goiás e ao Brasil.