Os três principais candidatos tem chances de disputar a segunda fase da eleição, que tem sido marcada pela indecisão  do eleitor e uma tendência a um grande número de abstenção, votos brancos e nulos.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Faltando quatro dias para o voto, os goianienses ainda não tem certeza sobre os candidatos que devem ir ao segundo turno. Isto ocorre por vários motivos, o primeiro deles é que nenhum dos nomes que concorrem à prefeitura de Goiânia abriu uma grande margem de voto sobre os seus adversários. Nenhum dos 16 candidatos tem margem folgada a ponto de vencer a eleição no primeiro turno.

As últimas rodadas das pesquisas Serpes, Grupom,  Ibope ou CNN mostram os líderes – Vanderlan Cardoso (PSD), Maguito Vilela (MDB) e Adriana Accorsi (PT) -, praticamente empacados nas mesmas posições.

Serpes  dá Vanderlan e Maguito no 2 turno

Se for considerada apenas a pesquisa Serpes o senador Vanderlan Cardoso e o ex-prefeito Maguito Vilela caminham para duelar no segundo. Ambos estão tecnicamente empatados.

O senador do PSD está com 26,3% e o ex-prefeito de Aparecida com 23%. A Delegada Adriana Accorsi (PT) aparece com 9%.

O levantamento Serpes/Jornal O Popular, no entanto, aponta evolução de Maguito Vilela, que começou com 13% (26;09), passou para 17,3% (17/10), chegou a 21,5% (02/11) e agora tem 23% (07/11), enquanto Vanderlan Cardoso iniciou com 22,3%, subiu a 26,3%, caiu para 24,5% e voltou a 26,3%.
Se Maguito está subindo, e Vanderlan está “empacado”, é possível, pelo Serpes, que emedebista o ultrapasse e chegue na frente.
Considerando a margem de erro  que é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, o senador Vanderlan Cardoso (PSD) pode ter no máximo 30,3% e no mínimo 22,3%,  enquanto o ex-prefeito Maguito Vilela (MDB) varia entre 27% ou 19%.

 

Margem de erro de Ibope admite um dos três no segundo turno

As pesquisas  Ibope/TV Anhanguera divergem das amostras do Serpes. Maguito está na frente de Vanderlan. O emedebista está com viés de alta e Vanderlan de baixa e Adriana também apresentou crescimento. O candidato do MDB iniciou com 21% (02/10) disparou sete pontos e foi a 28% (21/10) e na última rodada (02/11) chegou a 33%, num crescimento de mais 5 pontos. Vanderlan partiu de 20% para 27% e oscilou negativamente para 26%. Adriana iniciou com 11, repetiu o número e depois saltou para 14%.

Pela margem de erro de 4 pontos percentuais, Maguito pode ter 37% ou 29%;  Vanderlan 30% ou 22% e Adriana, 18% ou 11%. Se permanecer a tendência de alta de Maguito de 5 pontos por perquisa, ou emedebista pode chegar próximo das eleições com 42% (37% + 5%) . Seguindo este mesmo raciocínio, se o senador oscilar um ponto para baixo no seu pior índice terminaria com 21% e a delegada, se subir  3 pontos no seu melhor índice, poderia chegar empatada com os mesmos 21%, o que confiram um empate.

CNN também projeta incerteza

Olevantamento CNN/Real Prime Big Data divulgado na última segunda-feira (09/11) apresentou o senador Vanderlan Cardoso (PSD) com 26%, o ex-prefeito Maguito Vilela (MDB) com 23% e a Delegada Adriana Accorsi (PT) com 13%. Considerando a margem de erro do instituto de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, há chance de um novo equilíbrio no dia da eleição. Assim Vanderlan oscila entre 29% e 23%; Maguito de 26% a 20% e Adriana de 16% a 10%.

 

Grupom aponta eleitor ainda indefinido

Desde o início de seus levantamentos, no dia 03/10, o Grupom tem avaliado a “firmeza do voto”. Na última rodada, divulgada no dia 07/11, o instituto revelou que 15,9% dos eleitores entrevistados declararam que estão “firmes e convictos” do candidato que escolheram, enquanto 60% disseram que tem um segundo candidato, e que podem mudar o voto no dia da eleição.

Pelo Grupom, o senador Vanderlan Cardoso (PSD) estreou com 27,6% (03/10), foi a 28,9% (16/10), caiu para 25,4%  (26/10) e oscilou a 26% (07/11). O ex-prefeito Maguito Vilela (MDB) variou de 16,1% para 21,9%, 21,4% confirmando 23,2% na última amostragem. A delegada Adriana Accorsi (PT) iniciou com 13%, passou a 11,9%; 10,3% e chegoiu a 11,4%. Com estas diferenças, o indicativo do Grupom é de um segundo turno entre Vanderlan e Maguito, mas o “número mágico” de 60% de pessoas com o chamado “segundo voto”, deixa a eleição em aberto, uma vez, que tanto no Grupom, como nas outras pesquisas (Serpes e Ibope), Vanderlan tem demostrado um viés de queda, enquanto Maguito e Adriana, tem avançado.

 Áudios prejudicaram campanha de Vanderlan

Vanderlan tem sido alvo de críticas nos programas de seus principais adversários – seja pelo áudio de apoio ao senador Francisco Rodrigues (DEM) do “dinheiro nas nádegas”,  seja pela declaração, em entrevista ao jornal O Popular, na campanha de 2018,  de que  se fosse eleito senador, não deixaria o Senado para ser candidato em 2020 à prefeitura de Goiânia. Isto explica estar caindo em numas pesquisas e empacado noutras.

Mas as outras campanhas também tem os seus desafios.

Internação de Maguito

A internação de Maguito Vilela para tratamento do coronavírus criou uma situação inusitada: uma campanha sem candidato. Os boletins médicos indicam que o emedebista está se recuperando, mas fica a incógnita: como será a sua participação num eventual segundo turno? Vai gravar os programas a partir de São Paulo, onde encontra-se internado? Terá condições de participar de debates e de outros compromissos de campanha.

Jair Bolsonaro foi eleito sem participar de debates. Ele boa parte da campanha de primeiro turno internado, vítima do incidente da facada, que ao final lhe fez algum bem, pois na sua primeira participação num debate, Bolsonaro foi trucidado pela ex-senadora Marina Silva (Rede). Talvez  tivesse sido exposto completamente suas ideias nos debates Bolsonaro não teria sido eleito.

 

Antipetismo

O desafio da Delegada Adriana Accorsi é ainda o  antipetismo, que teve início em 2016, com o impeachment da presidenta Dilma Roussef, e cujo o ápice foi a eleição de Bolsonaro.

As últimas pesquisas mostram redução nos índices de rejeição de Adriana Accorsi. Na última pesquisa Grupom, por exemplo, sua rejeição caiu 12 pontos percentuais, passando de 17,6% para 5,6%, índice menor que o de Vanderlan Cardoso, que ficou em 11,3% e de Maguito Vilela, de 8,8%. Talvez esta queda seja fruto de sua própria campanha. Adriana fala como mais como delegada do que como petista, e isto pode ter caído no agrado daqueles que tem simpatia por ela, mas não nutrem o mesmo sentimento pelo seu partido.

A eleição de Joe Biden, nos Estados Unidos, joga um balde de água fria, no radicalismo bolsonarista, que tem fustigado não só o PT como outros partidos que fazem oposição ao governo de Bolsonaro.  Talvez esta nova onda de moderação venha a favorecer a petista.

Números finais, só após apuração

Minha aposta é que assim como foi com as eleições nos Estados Unidos, os institutos brasileiros não serão precisos nos seus prognósticos. Muitas surpresas podem acontecer em Goiás e noutros Estados. A única certeza é que o sentimento de anti-política e de votar em candidatos “de fora do sistema”, que prevaleceu nas eleições de 2016 e de 2018 não se sustenta nesta pleito de 2020, onde o eleitor está mais preocupado com a capacidade de administrar a crise do que com discursos de ódio dos candidatos.

O eleitor quer respostas efetivas nas áreas de saúde, trânsito, transporte público, emprego e renda.

O discurso, racista, homofóbico e escatológico que elegeu Donald Trump (2016) e Jair Bolsonaro (2018), parece que não se sustenta eleitoralmente neste pleito.

A conferir.