Maria Dalva Mendonça, 83, a Dona Dalva, nasceu em Pires do Rio, na chamada Região da Estrada de Ferro e de lá trouxe para Goiânia as tradições de origem africana como as congadas, o candomblé e o samba. Ativista, batalhou a vida toda por melhorias nas condições de vida do povo negro nas periferias da Capital.

Foi presidente da Associação da Vila Morais, bairro onde passou a maior parte de sua vida. Participou da fundação do CCAB (Conselho Consultivo das Associações de Bairro), entidade que nos anos 1970, 1980 até 1990 tinha muita força política junto ao Poder Público Municipal e garantiu várias conquistas para as comunidades dos bairros mais pobres.

Em 1986 Dona Dalva apoiou a candidatura ao Governo do Estado de Henrique Santillo (PMDB), Médico, Santillo fez um governo apoiado nas reivindicações das lideranças comunitárias. Neste período foram fundados os Cais, Ciams e outras unidades de saúde e assistência social que viriam a ser os CRAS

Em 1985 ela fundou a Escola de Samba Flora do Vale, na Vila Morais, região Leste de Goiânia. Além dos desfiles no carnaval de rua de Goiânia, que eram realizados na Avenida Araguaia, a escola também oferecia oficinas, cursos e vivências com crianças, jovens e adultos sobre as tradições afrobrasileiras.

Esta experiência com as tradições de origem angolana e indígenas (tapuia) levou à fundação da Comunidade Visual Ilê, que juntamente com a Escola de Samba Flora do Vale, fez história no movimento negro e de mulheres, do samba, das congadas e das religiões de matriz africana no Estado.

Goiânia perde uma lutadora contra a discriminação racial e religiosa, e sobretudo, perde uma ativista que prestou grandes serviços para comunidade afrobrasileira e para as comunidades mais vulneráveis da Capital.

Foto: Dona Dalva e o ator, diretor, teatrólogo e carnavalesco Delgado Filho, da Escola Lua-Alá e do Grupo Arte & Fogo de Teatro