Em entrevista à Rádio Gaúcha, ministro do Supremo Tribunal Federal diz que venda de palestras e a tentativa de ficar com recursos da Petrobrás, da ordem de R$ 2,5 bilhões, demonstram que operadores da Lava Jato desviaram-se da função de combater o crime e transformaram-se numa também numa Ocrim (Organização Crimionosa). Ainda ontem, em evento em São Paulo, Gilmar disse que o STF já debateu sobre o uso de provas obtidas de forma ilícita e que haverá a necessidade de a Corte voltar a tratar do tema. “Há uma jurisprudência em alguns casos em que se diz: a prova, mesmo ilícita, em alguns casos serve para isentar determinada sanção ou inocentar alguém”, declarou, admitindo em entrevista ao UOL, que as manipulações da Lava Jato podem beneficiar o presidente Lula.

Em entrevista ao programa Timeline Gaúcha na quarta-feira (7), o ministro do Supremo Gilmar Mendes criticou os procuradores da força-tarefa da Lava-jato, citados em vazamento de mensagens publicadas inicialmente pelo site The Intercept Brasil a partir do dia 9 de junho. Segundo o ministro, os procuradores “se constituíram numa verdadeira organização criminosa”.

— É linguagem de criminoso. É uma organização para combater o crime, mas é uma linguagem de criminoso, eles podem integrar qualquer organização criminosa. “Estamos fazendo algo ilegal, mas ninguém vai saber”. Leia os textos para seus ouvintes e perguntem: isso é linguagem de magistrado? — indagou o ministro.

Frases

“Eu sempre disse que sou mal profeta. Sempre disse isso aqui no plenário (do STF), porque as coisas que eu digo acontecem. Eu tinha feito esta advertência há muito tempo. Quando saiu esta estória da fundação do Dallagnol eu ponderei aqui que nós estávamos diante de uma gente argentária, buscando dinheiro. Disse que o negócio do combate à corrupção era extremamente lucrativo. E é o que se viu: coletando palestras pegando dinheiro público. O dinheiro que foi devolvido, é o dinheiro da Petrobrás, é dinheiro da União. Ninguém pode se apropriar disso, mas o projeto era se apropriar-se deste dinheiro”

“O que nós estamos vendo até agora é extremamente grave. Esta colaboração de promotor com juíz é extremamente grave. Nós estamos falando da maior crise que se abateu sobre o judiciário brasileiro desde a redemocratização”.

“Este consórcio de promotores e este juíz se constituiu numa verdadeira Orcrim. Sim, se constituíram numa organização criminosa”.

“Eu não me surpreenderia se amanhã inventassem uma conta minha no exterior”

Eles tem que explicar à população o que estavam fazendo. Não fomos nós que roubamos galinhas ontem, foram eles

“Eles estavam vendendo palestras em empresas investigadas por eles, de fato é uma gente muito baixa”.

O triste é que uma força-tarefa criada para combater o crime comece a praticar crime… estamos falando de coisas muito graves.

 É uma organização para combater o crime, mas é uma linguagem de criminoso, eles podem integrar qualquer organização criminosa. “Estamos fazendo algo ilegal, mas ninguém vai saber”.

“As corregedorias do TRF, esse aí do Rio Grande do Sul (TRF-4), CNJ (Conselho Nacional de Justiça), CJF (Conselho de Justiça Federal) e do MP (Ministério Público) têm que atuar, porque de fato se deixou  um bando de irresponsáveis à solta cometendo crimes”

“A mim me parece que o efeito [das mensagens vazadas] já é deslegitimador dessas sentenças. Quando a gente vai para o exterior, as pessoas perguntam: como é que vocês fizeram isto? Vocês lograram um sistema de combate à corrupção, agora estão com a credibilidade do sistema afetada. Como um juiz sai para integrar um governo de oposição àquele que está preso?”

“Há uma jurisprudência em alguns casos em que se diz: a prova, mesmo ilícita, em alguns casos serve para isentar determinada sanção ou inocentar alguém”.

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Ouça abaixo a íntegra da entrevista à Rádio Gaúcha: