Crise econômica que lançou a Argentina na hiperinflação,  recessão e desemprego lança milhões de argentinos de volta à miséria e à fome e faz Parlamento aprovar quase por unanimidade dobrar recursos para o “bolsa-família portenho.

Segundo a FAO, Venezuela, Guatemala e Argentina foram os países da América Latina onde a fome mais aumentou durante 2018.

Milhões de argentinos passam fome. O aumento da miséria tem ligação direta com a política econômica ultra-liberal do presidente Maurício Macri – que foi tão badalado pela mídia corporativa brasileira e portenha como “modelo” para a Argentina e o Brasil.

Face aos altíssimos indices de desemprego, fome e precariedade total das condições  de vida, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou por unanimidade noite da quinta-feira (12) um projeto de lei alimentar de emergência para permitir maiores recursos aos programas sociais. Conforme  registra o G1, o texto ainda precisa ser ratificado pelo Senado.

A proposta, que prevê um aumento de 50% nos valores para programas de assistência alimentar, equivalente a cerca de 8 bilhões de pesos (cerca de R$ 547 milhões), foi apoiada por 222 deputados, uma abstenção e nenhum voto contrário.

“Estamos enfrentando um problema de fome, desnutrição e uma queda acentuada de renda”, disse Daniel Arroyo, coautor do projeto e membro do partido do candidato peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, um favorito para as eleições de 27 de outubro.

“Todos nós temos que ajudar em um contexto complicado em que muitas pessoas têm dificuldade”, acrescentou ele em seu discurso.

Argentinos ocupam as ruas

Desde quarta-feira (11), milhares de manifestantes dos movimentos sociais acamparam perto do Congresso para exigir mais atenção em programas de assistência social e em cozinhas e escolas.

A emergência econômica e social está em vigor na Argentina desde 2002, quando o país passou por sua pior crise, e deve ser renovada periodicamente. O projeto de lei atual estende a emergência até dezembro de 2022.

“O grande problema é que mantivemos a pobreza ao longo do tempo. Não temos capacidade para produzir programas econômicos”, disse a deputada Graciela Camaño, da coalizão centrista do Consenso Federal.

Segundo a FAO, Venezuela, Guatemala e Argentina foram os países da América Latina onde a fome mais aumentou durante 2018.

Crianças passam fome

O dado mais preocupante sobre o aumento da pobreza em geral na Argentina da era Macri é o seguinte: 46,8% das crianças menores de 14 anos são pobres e representam 10,9% dos indigentes. Em comparação com 2017, a pobreza entre as crianças cresceu 18% e a indigência, 43%.

“Eu quero ser julgado, caso eu possa reduzir a pobreza ou não”, disse Macri em março de 2017. Bem, presidente, como Perón diria: “A única verdade é a realidade”. Segundo dados do Barômetro da Dívida Social divulgado pela Universidade Católica da Argentina, atualmente 3,4 milhões de pessoas, 7,9% dos argentinos, comem apenas uma vez ao dia. Sendo que o país, terceiro produtor mundial de mel, soja, alho e limões, quarto produtor de pera, milho e carne, quinto produtor de maçãs e sétimo de trigo e azeite, produz comida suficiente para alimentar dez vezes a sua população, segundo a BBC.

Com informações  do G1 e Conversa Afiada

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