A Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas demitiu e investiga a médica ginecologista Michelle Chechter, que trabalhava na maternidade Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, por aplicar nebulização de hidroxicloroquina como tratamento para covid-19.

 Pelo menos uma paciente morreu após o procedimento, conforme a secretaria. A mulher morta depois da nebulização havia acabado de dar à luz. A pasta informou que o tratamento não faz parte dos protocolos terapêuticos do Instituto Dona Lindu “nem de outra unidade da rede estadual de saúde, ainda que com o consentimento de pacientes ou de seus familiares”, diz nota da secretaria. O bebê passa bem.
Conforme a pasta, “o procedimento tratou-se de um ato médico, de livre iniciativa da profissional, que não faz mais parte do quadro da maternidade, onde atuou por cinco dias”. O comunicado diz também que “tão logo tomou conhecimento do ato, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas determinou abertura de sindicância e o afastamento da profissional”
A morte da paciente Jucicleia de Sousa Lira, 33, ocorreu em fevereiro, mas somente agora foi tornada pública. A secretaria diz que a médica passou a fazer parte da equipe em 3 de fevereiro “após contratação em regime temporário pela secretaria junto com outros 2,3 mil profissionais de saúde, via banco de recursos humanos disponibilizados ao Estado pelo Ministério da Saúde”.
A secretaria afirma que uma outra paciente sobreviveu à nebulização de hidroxicloroquina. “Conforme o instituto informou à secretaria, duas pacientes foram submetidas ao tratamento de nebulização de hidroxicloroquina. Ambas assinaram termo de consentimento, como relatado em prontuário. Uma das pacientes veio a óbito e a outra teve alta. Todas as informações sobre o atendimento estão registradas em prontuário”, afirma a pasta.
O texto diz ainda que a secretaria e o instituto não compactuam com a prática de “qualquer terapêutica experimental de teor relatado e não reconhecida e entendem que tais práticas não podem ser atribuídas à unidade de saúde, que tem como premissa o cumprimento da lei e dos procedimentos regulares, conforme os órgãos de saúde pública e os conselhos profissionais”.
A paciente de Manaus não é a primeira a morrer depois de passar por nebulização de hidroxicloroquina. Em março, três pacientes que passaram pelo procedimento morreram durante o tratamento em Camaquã, no Rio Grande do Sul. A nebulização foi aplicada no Hospital Nossa Senhora Aparecida, que, assim como a maternidade de Manaus, informou que o procedimento não faz parte de seus protocolos.

Bolsonarista e olavista

Para surpresa de ninguém, a médica ginecologista é bolsonarista, olavista e negacionista da pandemia.

Posts de seu Twitter mostram a ideologia da médica “cidadã de bem”.

Defensora do “tratamento precoce”, ela também militava contra o isolamento social nas redes sociais.

Ela apagou seu perfil no Twitter após a revelação de que usou o método e foi demitida do hospital em Manaus.

Nas mídias sociais, ela compartilhava também as fraudes do ídolo bolsonarista Didier Raoult, um dos principais defensores do “tratamento precoce” que fraudou resultados sobre cloroquina para obter financiamento do governo.

Em um documento que pediu para a paciente Lucicleia assinar, autorizando o uso do tratamento, ela também citou Vladimir Zelenko, alvo de uma investigação de um procurador federal por ter mentido que seu estudo sobre cloroquina havia recebido o respaldo da FDA.

A médica ignorou todas as boas práticas da medicina: usou o tratamento sem aprovação ética de pesquisa (exigência legal no Brasil) e não informou sobre os riscos da medicação (exigido pelas normas do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).

Autorização assinada por Jucicleia, paciente que morreu após nebulização de cloroquina. Foto: arquivo pessoal

Segundo a Folha, ela teria justificado a um dos pacientes que a cloroquina sofre oposição política por ter apoio de Bolsonaro.

 

Com informações do Correio Braziliense e DCM