Editorial do Estadão, manchete da Folha e matérias do G1 e do jornal O Globo sinalizam que saída do presidente é a única saída para a crise sanitária, social, política e econômica

Em editorial publicado nesta sexta-feira, 22, o jornal O Estado de S. Paulo, um dos mais conservadores e tradicionais do país, pediu em letras garrafais que os deputados federais aprovem um dos 56 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido):

“Existem, assim, 56 pedidos sobre a mesa do presidente da Câmara dos Deputados, a quem compete verificar o preenchimento dos requisitos legais e, se for o caso, submetê-los à apreciação de comissão especial, composta por representantes de todos os partidos. O caráter especial dos tempos atuais – apesar do início da vacinação, o País ainda está distante de vencer a pandemia – não deve significar a inviabilidade, por princípio, de qualquer pedido de impeachment”, aponta o editorial.

A Folha de S. Paulo também foi na mesma linha com a manchete: “Crise sanitária amplia base jurídica para o impeachment”. O jornal aponta 23 situações onde o presidente cometeu crimes de responsabilidade que podem dar embasamento legal para o seu pedido de afastamento pelo Congresso Nacional. Entre outras coisas o jornal da Família Frias aponta o colapso nos hospitais de Manaus (AM), onde há provas de que tanto o presidente Bolsonaro, quanto o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello foram alertados que os hospitais caminhavam para o esgotamento e que haveria falta de oxigênio. Mais: a insistência de Bolsonaro e Pazuello no “tratamento precoce”, ou seja, a indicação de cloroquina como prevenção à covid-19 – contrariando as recomendações de médicos, cientistas e da OMS (Organização Mundial de Saúde), também tipificam crime contra a saúde pública.

Finalmente, Merval Pereira,  jornalista que atua como espécie de porta-voz dos irmãos Marinho, donos da Rede Globo, tem reiterado na sua coluna no jornal O Globo, que o impeachment é a cura para a pandemia no país. De acordo com Merval, já existem “motivos de sobra” para que o impeachment seja colocado no Congresso Nacional.

“Mas o impeachment já está colocado e, como é um instrumento sobretudo político, será acionado, ou não, quando as forças políticas no Congresso desejarem. Motivos Bolsonaro já deu de sobra, e a falta de decoro de ontem é apenas mais uma, e não será a última”, escreveu Merval.

A posse do presidente Joe Biden nos Estados Unidos também joga mais gasolina no fogo do imnpeachment de Jair Bolsonaro. O alinhamento submisso do presidente brasileiro ao governo do ex-presidente Donald Trump deixou sequelas entre os democratas, e Joe Biden, no seu discurso de posse já adiantou que seu governo vai priorizar a pauta dos direitos humanos, meio ambiente e o combate ao populismo de extrema-direita. De cara, Biden já retomou a participação dos EUA no Acordo de Paris, que Trump e Bolsonaro rejeitam e retirou o governo norte-americano do lobby conservador anti-aborto, que tanto Trump, quanto Bolsonaro fomentaram.

Tudo indica que a  vida de Bolsonaro não será fácil neste primeiro semestre.