Análise é do deputado Enio Verri (PT-PR): “Ou ele fazia isso ou tirava a roupa, porque ele tinha de parar a sessão. Quanto mais Wajngarten se manifestava, pior ficava o quadro do governo”, diz.

Ao xingar o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho de Jair Bolsonaro, acabou expondo o desespero da família diante dos avanços que a Comissão Parlamentar de Inquérito têm feito ao investigar os crimes do governo na gestão da pandemia, que já matou quase 430 mil brasileiros. A análise é do deputado federal Enio Verri (PT-PR), que comentou na TVPT o depoimento do ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Fábio Wajngarten, nesta quarta-feira (12), que esteve perto de ser preso por mentir perante a CPI.

Flávio chegou à sessão quando Wajngarten estava totalmente acuado e já havia revelado que Jair Bolsonaro e a cúpula do governo sabiam da oferta de vacinas feita pela Pfizer, mas optaram por ignorá-la. O filho do presidente, então, ofendeu o relator. “A intervenção do senador Flávio Bolsonaro é um marco importante. Porque chegar na CPI e falar da maneira como ele falou prova o desespero da família. A maneira como ele se referiu ao senador relator Renan Calheiros mostra que ele estava desesperado, que ele tinha de criar uma crise para ser interrompida a sessão. Ou ele fazia isso ou tirava a roupa, fazia um strip tease, porque ele tinha de parar a sessão. Quanto mais o convidado se manifestava, pior ficava o quadro do governo”, disse Verri.

Para o deputado, o fato de Wajngarten ter sido flagrado mentindo, o que motivou o senador Humberto Costa (PT-PE) a pedir que o Ministério Público apure se ele cometeu crime de falso testemunho, mostra que o treinamento que ele obteve do governo não foi adequado e cria expectativas sobre o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, marcado para o dia 19. “Pazuello vai entrar em contradições inevitavelmente. Ou ele assume a sua culpa junto com Bolsonaro ou ele mente também e correrá o risco de ser preso”, avaliou o deputado.

O parlamentar ressaltou que o depoimento do ex-ministro da Comunicação Social comprova que o governo sabia da oferta de vacina pela Pfizer e a deixou sem resposta por dois meses. “Esse simples convidado prova o quanto o governo foi um governo genocida. Isso abre caminho para que a população tome maior consciência do que representa o governo Bolsonaro, o que é muito importante, porque representa a morte. E também cria uma expectativa do impeachment de Bolsonaro, afinal, comprovada sua prática genocida, prova-se que ele é um presidente criminoso e tem-se que tomar alguma providência.”

Para o senador Jean Paul Prates (PT-RN), que também participou da cobertura da CPI da Covid na TVPT, a responsabilidade de Bolsonaro ficou evidente. “Ficou claro que a Secretaria de Comunicação trabalha para divulgar teses do Ministério da Economia e do presidente da República, que são totalmente dissonantes com o mínimo que se pode fazer em uma pandemia. Isso está claro”, ressaltou o senador (assista no vídeo abaixo, já programado para ser iniciado nas análises dos dois parlamentares).