Vídeo revela que Bolsonaro queria proteger família com troca na Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O governador do Maranhão, o ex-juiz federal Flávio Dino, resumiu a divulgação feita pela mídia da reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros no Palácio do Planalto: “Quando um agente público edita um ato administrativo para atender a interesse pessoal perpreta o crime de prevaricação. E quando embaraça investigações configura-se o crime de obstrução à Justiça. É o que diz a legislação penal do Brasil”.

Segundo o Blog da Jornalista Andréia Sadi, do G1, o conteúdo do vídeo é  devastador para o presidente que teria acusado a Polícia Federal do Rio de Janeiro de perseguir sua família. A reunião ministerial ocorreu no dia 22 de abril, nela o presidente Bolsonaro disse que trocaria o superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro por causa da perseguição a sua família.

“O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril que faz parte do inquérito sobre a suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal é devastador para o presidente da República”, disseram fontes ouvidas pelo blog.

Há informações de que a PF possui material importante das investigações sobre as atividade de Fabrício Queiróz, acusado de comandar o esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, atual senador e filho do presidente.

Durante o encontro, Bolsonaro diz que sua família sofre perseguição no Rio de Janeiro e que, por isso, trocaria o chefe da superintendência da PF no Rio. O presidente acrescentou que, se não pudesse fazer a substituição, trocaria o diretor-geral da corporação e o próprio ministro da Justiça – à época, Sergio Moro .

Na reunião, Bolsonaro, que apresentava um tom de irritação e mau humor, trata o superintendente da PF do Rio como seu segurança, e afirma que não iria esperar sua família ser prejudicada.

Palavrões e xingamentos

O Viomundo, site do jornalista Luiz Azenha, observa que os trechos vazados do diálogo revelam que presidente e ministros se referiam com palavras de baixo calão a ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e governadores.

Já vazou que, na reunião, foram feitas críticas à China, que o ministro da Educação Abraham Weintraub se referiu aos 11 integrantes do STF como “filhos da puta” e que a ministra Damares Alves pediu a prisão de prefeitos e governadores que impõem o isolamento social.

Ofensiva de Moro

O vídeo foi entregue ao Supremo Tribunal Federal no âmbito de inquérito que o procurador geral da Justiça, Augusto Aras, mandou abrir para apurar as denúncias feitas pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, ao se demitir do governo.

Moro disse que saiu ao notar que Bolsonaro pretendia interferir politicamente na PF, de olho na direção-geral e na superintendência do Rio de Janeiro. O presidente já obteve as duas mudanças que pretendia.

Os vazamentos carecem de confirmação, que dependem de a transcrição completa existir — para ser vazada. É, ao menos, a lógica que Sergio Moro usou quando comandava a Operação Lava Jato.

“Assistimos hoje ao vídeo da reunião interministerial ocorrida em 22 de abril. O material confirma integralmente as declarações do ex-ministro Sergio Moro na entrevista coletiva de 24 de abril e no depoimento prestado à PF em 2 de maio. É de extrema relevância e interesse público que a íntegra desse vídeo venha à tona. Ela não possui menção a nenhum tema sensível à segurança nacional”, disse em nota Rodrigo Sanchez Rios, o advogado que representa Sergio Moro no caso

Bala de prata

A Globonews bateu o bumbo sobre o vazamento da frase de Bolsonaro, mencionando a queda da Bolsa de Valores e a alta do dólar, que passou dos R$ 5,85.

O procurador Augusto Aras pediu ao ministro Celso de Mello, que relata o inquérito, que a Polícia Federal não faça a transcrição completa da reunião do Palácio do Planalto.

“Bala de prata é a forma como estão chamando o vídeo da reunião”, escreveu em sua conta no twitter a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

“Na semana em que Bolsonaro está nas mãos de Aras, vazam que o PGR pode ser indicado ao STF. É muita podridão”, reagiu Ivan Valente, deputado federal (Psol-SP).

De fato, Aras poderia ocupar a vaga de Celso de Mello, que vai ser aposentado compulsoriamente do STF antes do final deste ano.

A repercussão do conteúdo do vídeo, no entanto, pode colocar Aras em situação difícil.

Com informações do G1 e Viomundo