O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) comentou, em suas redes sociais, nesta segunda-feira (11), o processo de desindustrialização do país, cujo episódio mais recente e impactante foi a saída da Ford do Brasil, anunciada no mesmo dia.

“Desindustrialização: um dos principais problemas do Brasil. Precisamos de política industrial e de distribuição de renda para impulsionar nosso poderoso mercado interno, gerando demanda. O fechamento da Ford é mais uma “conquista” desse período de trevas em que vivemos”, disse Flávio Dino.

Em referência a um comentário do presidente argentino Alberto Fernández, datado de 1º de dezembro, no qual ele trata de reunião que teve com o presidente da Ford Argentina, Martín Galdeano, na qual foram anunciados investimentos de 580 milhões de dólares no país para a fabricação do veículo Ranger, o governador destacou: “O mercado é imprescindível. E esse Tweet lembra que os governos também são. Ter ou não ter governo faz uma enorme diferença”.

Em dezembro, o presidente da Argentina, Alberto Fernandez, postou no twiiter: Recibí al presidente de Ford Argentina, Martín Galdeano, que anunció que la automotriz invertirá 580 millones de dólares para la fabricación local de la nueva Ranger.
Agradezco a la compañía por su confianza en el futuro de la Argentina. Si crece la industria, crece el país.

A empresa mantinha fábricas em Camaçari (BA) e Taubaté (SP), onde eram produzidos carros da Ford, e Horizonte (CE), para os jipes Troller. Ao todo, 5 mil empregos serão afetados no Brasil e na Argentina.

 

Deputados criticam fechamento da Ford

Logo após o anúncio da empresa, parlamentares da Bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados ocuparam suas redes sociais para lamentar a decisão e cobrar medidas em defesa dos trabalhadores atingidos. A líder do partido, deputada Perpétua Almeida (AC), apontou que o “Brasil vai se transformando num grande cemitério de vítimas da covid e também de empresas e empregos”.

“É urgentemente tirarmos o País dessa política genocida e, ao mesmo tempo, votar reforma tributária com redução da carga (de impostos), geração de emprego e renda e tributação dos milionários”, afirmou. A parlamentar ressaltou que, por incompetência do governo Bolsonaro, a falta de perspectiva com o Brasil vai afastando empresas e investidores.

Perpétua lembrou que, mesmo decidindo encerrar suas atividades por aqui, a Ford continua na Argentina, “a vizinha que Bolsonaro não perde a oportunidade de desqualificar”. “A crise econômica que tende a piorar em 2021, potencializada pelos efeitos da covid-19 e negativa da vacina, são o maior desestímulo aos investimentos privados. Esse governo não é capaz de equacionar uma solução para o Brasil, capaz de retomar o desenvolvimento, os empregos e renda”, criticou.

Fábrica da Ford em Camaçari

 

Na mesma linha, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) comentou que o anúncio da Ford revela “o retrato de um país arruinado por um governo desastroso”. “O Brasil perdeu a credibilidade, todos sabem que enquanto Bolsonaro governar, não há chance de recuperação”, avaliou.

Trajetória

A Ford está no Brasil há mais de 100 anos. Foi a primeira montadora a se instalar no País, ainda em 1919.

A montadora americana já havia anunciado sua reestruturação na América do Sul e o marco mais simbólico desse plano foi o fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo, o mais tradicional polo metalúrgico brasileiro.

A empresa disse que encerrará imediatamente a produção nas unidades de Camaçari e em Taubaté. Já a unidade que produzia o utilitário Troller, em Horizonte (CE), continuará operando até o quarto trimestre.

Seguem no Brasil a sede sul-americana da companhia, o centro de desenvolvimento de produtos que funciona na Bahia e o campo de testes em Tatuí (SP). Mas o brasileiro que quiser comprar carros da montadora será abastecido pelas unidades produzidas no Uruguai e na Argentina.

Fonte: PCdoB na Câmara