Fundação Osvaldo Cruz destaca que 19 estados têm hoje taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%; em 22 de fevereiro eram 1

Do Brasil de Fato

Em clima de alerta, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu, nesta terça-feira (2), um boletim destacando que o país vivencia atualmente um agravamento simultâneo de diferentes indicadores utilizados para acompanhar o andamento da pandemia.

Segundo a instituição, é a primeira vez desde o início do alastramento do vírus em território nacional que o Brasil acumula aumento do número de infecções e mortes, continuidade da alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sobrecarga de demandas nos hospitais e alta positividade de testes de covid-19 entre a população.

“O cenário alarmante representa apenas a ponta do iceberg de um patamar de intensa transmissão no país. Diante disso, os pesquisadores acreditam ser necessária a adoção de medidas não farmacológicas mais rigorosas”, diz a instituição.

Os pesquisadores pedem medidas mais duras naquilo que se refere à circulação de pessoas e às atividades consideradas não essenciais. Eles orientam que tais ações devem ser conduzidas de acordo com a situação epidemiológica e a capacidade de cada rede de atendimento.

Também indicam que deve haver avaliação periódica semanal da situação baseada em critérios técnicos, como é o caso da tendência de aumento dos casos de covid e dos índices de ocupação de leitos de UTI.

O boletim da Fiocruz acrescenta que 19 estados têm hoje taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80%. No boletim anterior, publicado dia 22 de fevereiro, havia 12 unidades federativas nessa situação.

“Este crescimento rápido a partir de janeiro é o pior cenário em relação às taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos em vários estados e capitais, que concentram a maior parte dos recursos de saúde e as maiores pressões populacionais e sanitárias”, ressalta a nota técnica.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo afirmam ainda que o contexto do país pede ações combinadas em diferentes áreas.

Eles citam, por exemplo, as de vigilância e atenção à saúde, com reforço da atenção primária, e ainda medidas que sejam capazes de conter os efeitos sociais gerados ou agravados pela pandemia, com destaque para a população em situação vulnerável.

:: ‘A situação é desesperadora.’ Médico intensivista fala sobre dia a dia na UTI ::