Evento promovido pela Casa de Oswaldo Cruz acontece no dia 2 de outubro e será transmitido na página da unidade no Facebook

Há 50 anos, em 1970, sob a vigência do Ato Institucional nº 5, dez pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz – embrião da Fiocruz – foram cassados pela ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) em um dos períodos mais sombrios que a instituição atravessou.

O episódio ficou conhecido como Massacre de Manguinhos, título que o pesquisador Herman Lent – um dos cassados – deu ao livro publicado em 1978, no qual narra e analisa os fatos relacionados à cassação.

A relação entre ciência e democracia e a valorização da memória como condição para que arbitrariedades como o Massacre de Manguinhos não mais aconteçam, é o tema do 3º Fórum de Fiocruz de Memória (Fofim) Ciência, Democracia e Memória. O evento, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e a Presidência da Fundação Oswaldo Cruz, acontece no dia 2 de outubro, a partir das 9h:30, com transmissão pela página da COC no Facebook.

A cassação dos cientistas de Manguinhos serve como fio condutor para as discussões do Fórum que abordam as interseções entre ciência, política e democracia e a impossibilidade da autonomia da atividade científica diante de processos sociais mais amplos, como foi a ditadura instalada no Brasil em 1964. Entre outros tópicos, o evento discute as disputas em torno da memória dos “anos de chumbo”, principalmente enfocando o papel dos suportes materiais, que documentam e rememoram esse período da história, e analisam o impacto do exílio desses cientistas e intelectuais na trajetória da ciência brasileira e as dimensões subjetivas de todo esse processo, que ajudam a refletir sobre o Brasil atual.

Lembrar para não esquecer e para que não se repita

Desde abril de 1964, o Instituto Oswaldo Cruz passou por diversas intervenções e inquéritos militares, conduzidos pelo regime militar. Apesar de nada ter sido provado, o clima de hostilidade e repressão aumentou culminando em 1970 na suspensão dos direitos políticos de dez cientistas – Haity Moussatché, Herman Lent, Moacyr Vaz de Andrade, Augusto Cid de Mello Perissé, Hugo de Souza Lopes, Sebastião José de Oliveira, Fernando Braga Ubatuba, Tito Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque, Masao Goto e Domingos Arthur Machado Filho -, o que representou perdas incalculáveis para o país, como por exemplo a extinção sumária de várias linhas de pesquisa e laboratórios.

Confira a programação:

9h30 – Abertura

10h – Ditadura, arquivos e lugares de memória

Coordenadora: Luciana Heymann – Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)
Georgete Medleg Rodrigues Universidade de Brasília (UnB)
Vicente Arruda Câmara Rodrigues – Arquivo Nacional
Samantha Quadrat – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Maria Paulo Araújo – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Resumo: A mesa aborda as disputas em torno da memória da ditatura civil-militar brasileira (1964-1985), com especial atenção para os suportes materiais, que tanto documentam esse período da história, como permitem sua rememoração. Nesse sentido, serão objeto de debate os chamados arquivos da repressão e da resistência e os lugares de memória e consciência. Também serão analisadas políticas públicas e ações da sociedade civil empreendidas em nome da “memória, verdade e justiça”.

14h – O Massacre de Manguinhos: 50 anos depois

Gilberto Hochman – Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)
Renato Cordeiro – Instituto Oswaldo Cruz – Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Daniel Elian – Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro – Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ)
Márcio Félix – Instituto Oswaldo Cruz – Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)

Resumo: A mesa apresenta diferentes perspectivas tanto em relação ao processo político e institucional que, iniciado com o Golpe de 1964, culminou na cassação dos dez cientistas em 1º de abril de 1970, assim como em relação às consequências para o Instituto Oswaldo Cruz, para a Fiocruz, e para a ciência brasileira, do alijamento desses cientistas, fechamento de seus laboratórios e descontinuidade de suas linhas de pesquisa. Nessa dimensão, a mesa abordará também os impactos do autoritarismo sobre as carreiras e vidas desses cientistas, de seus colegas, alunos e de seus familiares, e de experiência de exílio dentro e fora do Brasil.

 

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