Jornal conservador inglês é leitura obrigatória por economistas do mundo todo e define o presidente brasileiro como envolvido com os grupos para-,militares que controlam a vida de milhares de moradores de favelas e bairros periféricos da capital fluminense.

Assim como a Revista Forbes, o Financial Times é uma das “bíblias” do capitalismo. Na edição desta segunda feira  o periódico britânico trouxe reportagem  comparando a atuação das milícias do Rio de Janeiro com a máfia italiana.  O Financial Times trouxe declarações de apoio do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL-RJ)  aos grupos criminosos e trouxe também afirmações do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) que homenageou milicianos e empregou parentes deles em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quando foi deputado estadual.

 

“Até novembro, Flávio – então deputado na assembléia estadual do Rio – empregava em seu escritório a esposa e a mãe de Adriano Magalhães da Nóbrega, um fugitivo da justiça acusado de liderar o Escritório do Crime, esquadrão da milícia que se acredita ter participado do assassinato de Franco. Ele dispensou os dois quando o emprego deles se tornou público”, diz a reportagem.

A edição do times fez estas e outras associações ao realizar uma matéria especial sobre o  assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. Na reportagem o jornal inglês para ameaça que representa no brasil os grupos de milícias que atuam no Rio de Janeiro e nas cidades que compõe a Baixadas Fluminense.

O texto, publicado na seção “A grande leitura/Américas”, explica que as milícias são gangues paramilitares assassinas, lideradas por policiais e ex-policiais, que surgiram nas últimas duas décadas como uma ameaça à segurança pública e à integridade do Estado.

Marielle, que foi chamada pelo diário britânico de “Alexandria Ocasio-Cortez da política brasileira” (numa referência à deputada latina que foi eleita pelo partido democrata nos EUA), é descrita como uma oradora pública articulada e carismática e que tinha uma campanha contra a corrupção e a violência policial. Para o jornal, sua atuação a tornou uma estrela em ascensão da política do Rio de Janeiro, uma conquista improvável para uma mulher negra e gay de uma das favelas da cidade.

O FT relata que dois homens foram presos como suspeitos de assassinato, ambos ex-policiais, e a apreensão da “maior quantidade de armas ilegais já feita no Brasil” na mesma operação no chamado “Escritório do Crime”.

O assassinato de Marielle, continua o periódico, também levanta questões desconfortáveis para Jair Bolsonaro, o novo presidente de extrema-direita do Brasil. “Figuras de longa data na política do Rio, Bolsonaro e seus filhos têm uma história de se associar com pessoas próximas de membros conhecidos e suspeitos da milícia”, explicou.

Além disso, o veículo britânico ressalta que os holofotes sobre as milícias se chocam com o plano de segurança que Bolsonaro está propondo e a filosofia que o ajudou a ser eleito. O FT recorda que, no início, as milícias ofereciam proteção às empresas locais a um preço modesto que muitos estavam dispostos a pagar. De lá para extorsão foi um passo curto, e logo as milícias estavam vendendo proteção contra si mesmas. Eles se expandiram para outros serviços: transporte público informal, distribuição de gás de cozinha, TV a cabo pirata, venda e aluguel de imóveis comerciais e residenciais e muito mais.

A linha de negócios mais lucrativa para as milícias tem sido o setor imobiliário e direitos de terra, conforme a reportagem, justamente a questão principal do trabalho da vereadora na época de sua morte.

Nos últimos 20 anos, muitas novas milícias foram formadas: um estudo do ano passado descobriu que estavam presentes em 165 favelas e em outros 37 bairros da cidade do Rio, áreas da cidade que abrigam uma população combinada de mais de 2 milhões de pessoas. “Eles distribuem a justiça muitas vezes horrível e letal, projetada para dar o exemplo, às vezes para o comportamento criminoso, às vezes para atos de desobediência, como comprar gás de cozinha do distribuidor errado”, pontua a publicação.

 

O texto de 36 parágrafos, acompanhado por muitos gráficos, mapas e fotos, continua dizendo que a presença dessas milícias assombra a cidade e cita uma pesquisa do mês passado que descobriu que os moradores do Rio tinham mais medo das milícias do que das gangues de drogas.

“O medo do aumento da violência urbana foi uma das principais questões que permitiram a Bolsonaro chegar ao poder da quase obscuridade no ano passado. Enquanto os brasileiros esperavam virar as costas ao Partido dos Trabalhadores (PT) de esquerda, que havia gerado uma recessão esmagadora em 2015-16 e estava envolvido em um esquema de corrupção multibilionário, Bolsonaro também fez durante a campanha a promessa de enfrentar uma aumento do crime”, frisa a reportagem. (Com informações da Revista Fórum e do Jornal Metro).