Provavelmente inócua nas mãos de outros ministros do STF, a notícia crime por prevaricação apresentada pelos senadores Alessandro Vieira e Fabiano Contarato contra o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, tendo caído nas mãos de Alexandre de Moraes, pode se tornar um problema de última hora para a aprovação da recondução do PGR, que começa com a sabatina marcada para a próxima terça-feira.

Por Fernando Brito, no Tijolaço.Net

Moraes terá de decidir entre arquivar sumariamente a representação ou mandá-la para o Conselho Superior do Ministério Público, a quem compete designar um subprocurador para atuar contra chefe da Procuradoria.

Por mais que sejam prováveis as chances de Aras ser aprovado pelo Senado – ao qual tem feito promessas de que, no segundo mandato, não será leniente com Bolsonaro como agora – cria uma imensa saia justa para a sua sabatina.

A ver qual será a atitude de Moraes, que esteve às turras na semana passada com Aras, por conta de uma omissão – negada, mas evidente – no caso da prisão do ex-deputado Roberto Jefferson.

O ministro não engoliu as negativas de Aras e mandou divulgar o protocolo da manifestação da PGR, evidenciando que ela só apareceu no balcão do STF depois que Jefferson já estava detido na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Está furioso com o fato de que Aras, em silêncio diante dos abusos de Jair Bolsonaro e deixa a ele, Moraes, o desgaste de tomar todas as atitudes e, assim, tornar-se o alvo preferencial do presidente e de suas falanges.

 

Leia também:

Desastre: o que fez Bolsonaro com a imagem dos militares