Fracasso da revolta militar comandada pelo “autoproclamado” presidente do Parlamento, pode levar golpista ao exílio ou a prisão, avalia o editor do site Tijolaço.

 

Nesta semana o Onze de Maio publicou duas notícias que vieram a se confirmar. A primeira, uma análise do cientista político Thierry Meyssan, do site Rede Voltaire, onde anunciava reunião às vésperas do feriado de Páscoa, sob o título “EUA trama invasão da Venezuela em reunião com representantes de Guaidó, do Brasil e da Colômbia“. A outra matéria, veiculada pelo site russo de notícias Sputinik, dizia que a “Inteligência russa vê sinais de preparação de invasão dos EUA a Venezuela“. Os prognósticos de uma tentativa de golpe se confirmaram nesta terça-feira, 30/04,  véspera do feriado do Dia do Trabalho.

No seu artigo, Meyssan trouxe documento sobre reunião no dia 10 de abril,  realizada na sede do CSIS, entidade norte-americana que representa o lobby de empresas de armamento e petróleo, na qual foi tramada a invasão militar na Venezuela. “Quarenta pessoas participaram nela, entre as quais os principais conselheiros da Administração Trump sobre este assunto, representantes do autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Guaidó, e funcionários do Brasil, da Colômbia e da Guiana”, conta.

Já segundo matéria do site russo de notícias Sputinik, “o  diretor do Serviço Exterior de Inteligência da Rússia (SVR), Sergei Naryshkin, disse que a Rússia vê sinais de preparação de uma operação militar dos EUA contra a Venezuela, mas só o tempo dirá se tal plano será ou não realizado”.

A tentativa de golpe houve. Mas o movimento não chegou ao intento de retirar do poder o presidente Nicolás Maduro. Para o jornalista Fernando Brito, do site Tijolaço,  o movimento se revelou um fracasso porque não contou com apoio do alto comando das forças armadas, que seguiu fiel ao presidente. Ele reforça ainda as considerações feitas pela jornalista Helena Chagas, que em artigo para o site Os Divergentes, pergunta: onde estão os tanques?, alertando para o fato de que o alto comando não seguiu com Guaidó, e preferiu reguardar a Constituição:

“Com quem estão os tanques? – é a pergunta que não quer calar nesse momento. Nunca se viu golpe de Estado em terras latino-americanas sem tanques na rua, e de fato eles não estão lá. Maduro tuitou há poco dizendo que continua tendo apoio deles. Juan Guaidó diz ter o apoio dos militares, inclusive generais”, constata Chagas.

Fernando Brito ressalta, que se não há tanques, não há quem tenha autoridade para fazê-los rolar e quem tem esta autoridade são comandantes, não praças ou oficiais de baixa patente, como os que apareceram com Guaidó.

São generais e generais não há, ao menos até agora.

A imprensa chegou a apontar o um deles, José Adelino Ornella Ferreira, chefe do Estado Maior do  Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas como o líder militar do movimento, mas este, minutos depois, foi ao Twitter proclamar sua lealdade a Maduro e ao chavismo.

Ao que parece, os militares estão deixando que se esvazie o movimento, porque uma ofensiva contra militantes e alguns militares, armados de metralhadoras, que cercam a Base Aérea de Carlota, em Caracas, seria um convite ao morticínio e a única possibilidade de Juan Guaidó obter saldo político positivo da aventura em que se meteu.

 

“A confirmar-se a derrota de seu mal improvisado levante militar o “autoproclamado” terá dois caminhos: a prisão e o banco dos réus ou o exílio. Ambos terríveis para ele: o primeiro, por uma insurreição militar sem tropas; o segundo por torná-lo um “fósforo queimado” para Washington”, prevê Brito.

Reação

O Ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino acaba de fazer um pronunciamento extremamente forte pela televisão venezuelana.

Disse que a maioria dos militares que participaram do levante militar em favor do autoproclamado presidente Juan Guaidó foram enganados por uma suposta articulação militar para afastar Nicolás Maduro e já retornaram aos seus quartéis.

Os comandos do Exército, Marinha e da Aviação Militar igualmente saíram em defesa da ordem constitucional.

Padrino disse que as Forças Armadas reagiram com moderação, para que se evitasse derramamento de sangue mas que, a partir de agora, Guaidó e seus auxiliares, inclusive militares, serão responsabilizados por qualquer violência que ocorra.

 

 

Em nota Rússia acusa oposição venezuelana de recorrer à violência

Um dos principais aliados do presidente Nicolás Maduro, o governo da Rússia criticou nesta terça a oposição venezuelana e pediu que os dois lados sentem para negociar uma saída para a crise no país.

“A oposição radical na Venezuela retornou mais uma vez aos métodos violentos de confronto”, disse o Ministério de Relações Exteriores da Rússia em nota.

“Em vez de resolver suas diferenças políticas pacificamente, eles decidiram incentivar o conflito e provocar a quebra da ordem pública e enfrentamento com as Forças Armadas”, afirmou o comunicado