Por Fernando Brito, no Tijolaço

 

O minguar progressivo do auxílio emergencial, a partir do final de setembro, o recrudescimento da inflação aos consumidores e a volta ao estilo “quem manda aqui sou eu” do presidente são, à primeira vista, os fatores centrais da erosão do oásis de popularidade que Jair Bolsonaro desfrutou a partir de abril/maio deste ano.

Os números da reprovação ao ocupante do Planalto são para lá de expressivos: índice de ruim/péssimo de 50% em São Paulo, 45% no Recife; 42% no Rio de Janeiro.

Nestas capitais e em quase todas as outras, onde só muito raramente algum de seus candidatos preferidos irá ao segundo turno, a partir de domingo tudo tende a piorar e Bolsonaro será, mesmo para os de talhe conservador, um carrapicho do qual tentarão se livrar.

Note que a pesquisa não captou ainda as últimas trapalhadas do presidente, como a hipótese de que o “país de maricas” faça os poderosos EUA sentirem o cheiro “da pólvora” e o abraço de afogado que o une a Donald Trump.

Um detalhe triste e constrangedor: a corrosão de Bolsonaro contamina, também, as instituições militares com as humilhações quase diárias, sucessivas, de seus generais, levados a pedir desculpas por terem sido apenas razoáveis. Primeiro Eduardo Pazuello, com a vacina chinesa; hoje o próprio vice Hamilton Mourão, levado a se penitenciar por um esboço de proposta de expropriações de terras onde se cometam crimes ambientais graves e, quem sabe, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, por ter publicado uma prosaica ordem de vacinação compulsória das tropas brasileiras.

O estilo presidencial bravateiro, talvez, deva ser encarado como uma causa do desgaste.

Esvaziado, ele tem de recuperar o aguerrimento de sua base de fanáticos, à medida em que diminui o seu apoio por razões econômicas.

Muito cuidado ao analisar estes movimentos do mundo do dinheiro. Todos se dão sobre a areia movediça das condições sanitárias do planeta, que de forma alguma permite dizer que algum tipo de reação sólida na economia.