Jornalista avalia as últimas pesquisas eleitorais no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Por Fernando Brito no Tijolaço

 

As rodadas finais do Ibope e do Datafolha, sobretudo no Rio e em São Paulo, dão uma vaga esperança de que o segundo turno das eleições nas maiores capitais do país assumam um tom marcadamente nacional.

A passagem provável de Guilherme Boulos e uma solução que, no Rio, leve a candidata Benedita da Silva, ao 2° turno (sinalizado pelo Ibope, mas não pelo Datafolha) acabariam por dar à segunda volta do pleito municipal um espaço para o embate nacional, embora eleições municipais, desde sempre, pouco se prestem a isso.

As margens são muito pequenas para que se faça prognósticos com base nestas pesquisas, mas é interessante observar que se fez pressão por candidatos “terceira via” (Márcio França, em SP, e Martha Rocha, no Rio) que não conseguiram corresponder ao impulso que receberam para se tornarem alternativas claras e incontestável à polarização.

Pode ser que eles – ou apenas Boulos- se viabilizem para o segundo turno e certamente receberiam o apoio da esquerda. A recíproca, porém, não se afigura verdadeira.

A eleição municipal está mostrando que a ideia de “frente de esquerda” é frágil e muito mais utilitária que ideológica ou programática.

Ao menos entre os dirigentes partidários.

Não é, porém, uma mesquinhez exclusivamente deles. No Rio e em São Paulo, PSOL e PT puseram visões particulares à frente de seus deveres para com a população.

Em São Paulo, o PT não confiou em que pudesse fazer bancada municipal sem candidato próprio; no Rio, Marcelo Freixo amedrontou-se com os grupos “identitários” de seu partido e refugou de uma candidatura que, certamente, teria sucesso e uma imensa importância política nacional.

Não se trata, apenas, de um julgamento moral do comportamento de dirigentes e candidatos.

Trata-se de sinalizar claramente à população que há um caminho que coloca, como seu primeiro passo, uma bifurcação entre os que apoiaram a construção do ambiente de ódio como a atmosfera que este país respira.

Recusar, de maneira clara, inequívoca e militante, a promiscuidade com os responsáveis por isso é a grande linha de corte que o próprio eleitorado aponta, muito mais que os candidatos que irão ao segundo turno, preocupad´ssimos em não melindrar o eleitorar ainda fiel a Bolsonaro que pode lhes ser vantajoso na disputa final.

O eleitor – e isso as pesquisas mostram – está derrotando o fanatismo bolsonarista e não o faz para que, em seu lugar, se eleja o bolsonarismo oportunista que se camufla no “meu compromisso é só com a cidade”.

Até porque não há cidade viável quando ao poder federal se permitir investir contra a saúde, a educação e as liberdades públicas, valores universais de uma nação.

Se não se levantam estes valores acima de tudo, não se levantará a Nação.

Há pouco para que se afirme que será assim, no segundo turno. Mas também não há tanto para que se possa garantir que não haverá nenhuma chance de que seja um turno marcado por um voto dirigido, para além das dissimulações, por um sim ou não ao governo central que, por isso, acabe por fazerem minguar os candidatos do “tanto faz”.