Parece incrível que, em pleno século 21, esteja sendo lançado um “Manifesto pela Liberdade de Crença” e contra a perseguição as religiões de matriz africana.

Mas está e reflete o que nós, muitas vezes, não percebemos, a não ser quando chega a agressões explícitas.

A discriminação religiosa – já de si a negação de que há uma filiação divina a todos os homens que as religiões professam – sempre existiu e sempre ambicionou a proximidade do poder.

Mas, agora, ela toma conta do Estado, quando diplomatas brasileiros, ministros de Estado e o próprio Presidente da República tomam a frente de discursos que invocam como papel da administração pública, a conversão religiosa dos cidadãos.

A invocação de Deus como agente político é, em si, uma heresia para quem crê e uma opressão a quem não crê.

A fé, necessariamente uma convicção do indivíduo, só tem sentido social quando se trata de fazê-la obra de fraternidade, como nos versículos de Tiago 2:2, do contrário estará morta.

Não tenho fé senão nas ações de homens e mulheres que proclamam este princípio, que nos irmana.

E numa homenagem aos evangélicos que pensam assim, reproduzo a prédica da pastora metodista Nancy Cardoso que, melhor do que eu, ensina que estamos todos na mesma planície.

 

 

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