Por Fernando Brito, do Tijolaco.net 

Um dia a história registrará como primeiro vagido do “Bebê de Rosemary” que a direita brasileira gerou aquela frase do inominável Roberto Jefferson sobre despertarem-se nele os instintos mais primitivos.

Os instintos mais primitivos, afinal cresceram e estão no poder com outro inominável, Jair Bolsonaro.

Os espórulos da estupidez espargiram-se sobre os brasileiros e fizeram do país um caldo de burrice e ódio que se revela, cruamente, na pesquisa Datafolha, publicada há pouco, revelando que quase 1/4 dos brasileiros (22%) não se dispõem a tomar quando, estiver disponível a vacina contra o novo coronavírus e que a metade não o fará se a vacina viável for a Coronavac, chinesa, a única que podemos ter no momento.

Vejam: negar-se à vacina é assumir o risco de morte que ninguém pode considerar pequeno depois de mais de 180.000 mortes no Brasil. O risco de morrer e o risco de matar: seus pais, seus filhos, seus avós, seus amigos…

São as sequelas dos vírus da boçalidade aos quais a elite brasileira, por ódio ideológico, entregou o comando deste país. Nada perderam durante mais de 13 anos de governo de centro-esquerda, mas preferiram atirar o Brasil nas mãos de um fanático alucinado a ver acontecer aqui um processo, ainda que tímido, de construção de uma sociedade com um mínimo de justiça social e de hábitos civilizados.

Pois foi isso que fizeram: eles, pois,”os homens de bem”, os financistas, os donos da mídia, os farialimers, todos elesque, quando não gritavam, abanavam o “Mito”.

Outros, diante do óbvio, diziam-se postos a uma “difícil escolha” ou preferiam levar sua omissão a dar passeios em Paris.

Agora está aí: o processo de emburrecimento que desencadearam no Brasil levam-nos ao paroxismo de sermos, em meio ao mundo que clama por vacina, a nação cujo povo, em parcela para lá de expressiva desdenha da imunização.

Páreas no mundo, é o que somos. Quem, quando o planeta estiver vacinado e imune, quererá vir à terra onde 1/4 da população não se vacinou e, portanto não se alcançou uma cobertura vacinal suficiente para erradicar a doença. Um século atrás, Oswaldo Cruz, dependeu do presidente Epitácio Pessoa e do então general Hermes da Fonseca para mitigar a febre amarela que devastava o Rio de Janeiro. Agora – que ironia! – graças ao presidente imbecil e a militares sabujos e impatriotas vamos nos tornar o país, o último país, das mortes por coronavírus, tal como fomos o último a abolir a escravatura.

Não cabem discussões “sociológicas” sobre o que nos leva a essa situação. É preciso, sim, indignação, inconformismo, ação desabrida contra a maré de insanidade que nos afoga.

Ontem ou ante ontem um brutamontes, cabo da PM, agrediu um oficial porque este exigia que ele usasse a máscara em um estabelecimento público. O que precisa este país é o contrário, é que se esbofeteie com palavras, com ideias, com informação e sobretudo com coragem os que estão altos postos de comando em lugar de defender a população, de protegê-la expõem-na ao perigo e a morte.

Aos que balançam bandeiras do Brasil nas bovinas manifestações pró-Bolsonaro, é de dizer o verso de Castro Alves e preferir vê-la rota e esfarrapada do que servir a um povo de mortalha.