Grandes grupos de mídia, como a Folha de S.Paulo e a Bandeirantes se unem ao The Intercept para tornar público os desmandos, mentiras e manipulações feitas pela República de Curitiba. Presidente do Grupo Band, o empresário João Carlos Saad, o Johnny Saad, fez duras críticas ao desmonte da economia perpetrado durante estes cinco anos de Lava Jato.
Fecha o cerco contra Moro e a turma da Lava Jato
 Marcus Vinícius

Como a vovó já dizia: “a mentira tem pernas curtas”. O circo político-midiático utilizado pela Operação Lava Jato para perseguir desafetos políticos, quebrar setores inteiros da economia e levar à presidência um aliado está ficando cada vez mais claro.

 

A blindagem que a dupla Sérgio Moro-Deltan Dallagnol tinha de setores expressivos da mídia se rompeu. Cada vez mais veículos tradicionais como Estadão, Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, Bandeirantes e outros se somam ao The Intercept  na cobrança de esclarecimentos sobre a corrupção moral e ética do ex-juiz, que até poucos meses era visto como vestal máxima da República.

O criador do The Intercpet, Glenn Greenwald, que está à frente da reportagem que está revelando os bastidores, e sobretudo, os podres da Operação Lava Jato é  um dos mais respeitados do mundo. Glenn é ganhador do prêmio Pulittzer, o chamado Oscar do Jornalismo, pelas série de reportagens sobre o Caso Snowden, que revelou ainda em 2014 que a CIA (Central de Inteligência Americana) espionava a presidenta Dilma Roussef (PT), a Petrobrás e até a presidenta alemã  Ângela Merkel.

Ontem a Folha de S. Paulo acertou parceria com o The Intercept. Uma equipe de primeira linha foi destacada para atuar junto a Glenn Greenwald na análise do material que compra condutas ilícitas, criminosas, antiéticas e imorais por parte do ex-juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da Operação Lava Jato, tendo Deltan Dallagnol e José Carlos dos Santos á frente.Outra parceria acertada com o The Intercept foi com o Grupo Bandeirantes, onde o jornalista Reinaldo Azevedo pilota programa na Rádio Bandeirantes e já trouxe nesta semana matéria em parceria com o The Intercept mostrando que o ministro da Justiça Sérgio Moro mentiu durante sua audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Diálogos vazados por Reinaldo Azevedo revelaram que Moro conspirou com Dallagnol e Santos para tirar a procuradora Laura Tessler da inquirição que seria feita ao ex-presidente Lula (PT), durante audiência na 13 Vara de Curitiba, a respeito da questão do apartamento do Guarujá. Esta interferência direta do juíz no trabalho do Ministério Público Federal configura crime previsto na lei da magistratura e no código do processo penal, que servem de subsídio para anular a ação, por configurar a postura parcial do magistrado.

Mas para além das parcerias midiáticas, Moro e sua turma estão expostos à luz do sol como aqueles que além de rasgarem a Constituição Federal, cuspirem no Código Penal, tripudiarem do devido processo legal, também cometeram o crime de quebrarem setores inteiros da economia.

Esta denúncia dos excessos da Lava Jato em relação às empresas vinha tendo como único voz dissonante o jornalista Luis Nassif, no seu Jornal GGN, site especializado em política, economia e cultura. Nassif pregava solitário no deserto, que o combate à corrupção não podia levar à quebra de empresas e ao desmonte de setores inteiros da economia.O pedido de recuperação judiciária da Odebrecht apresentado nesta semana colocou luz a este fato, chamando atenção de João Carlos Saad, o Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirante de Comunicação.

Na última segunda feira, durante evento da Band News, onde estavam presentes membros da magistratura, do Congresso Nacional e advogados a AGU (Advocacia Geral da da União), Johnny criticou durante a Operação Lava Jato:

 “Eu acho que falta um dado importante nesta análise, que é a destruição de grandes empresas nacionais, de setores inteiros que foram destruídos. Então o combate (à corrupção) estou de pleno acordo. E óbvio que um juízo de de primeira instância tem que fazer isto, cabe as outras instâncias gerar um acordo de leniência que seja definitivo, que que já assinado com um único órgão, ou com todos os órgãos, de tal maneira que as empresas continuem suas vidas e não que sejam destroçadas como é o que estamos vendo. A  soma destes dois fatores nos levou a estes milhares e milhões de desempregados”, denuncia. 

E falou mais: “A elite que está aqui sentada, com representantes do poder judiciário, o poder legislativo e a AGU tem instrumentos para que possa se resolver isto. Tem instrumentos ou podem ser implementados, para que se possa voltar a ser como era antigamente: você antes de prender uma pessoa, investigue, busque provas, comprove e depois você prende. Porque se você vai destruindo carreiras, profissões, nomes, empresas, setores, é como se o gerente de uma fazenda informasse ao responsável que aquele rebanho está com carrapato, e o sujeito, ao invés de combater os carrapatos matasse o rebanho. É mais ou menos o que fizemos aqui no Brasil”, atira.

Saad lembrou que nenhuma das empresas internacionais que foram investigadas no âmbito da Lava Jato foram levadas à falência. Ele considera o caso da Odebrecht emblemático, pois a maior empresa de engenharia do país não poderia ser tratada como foi pela República de Curitiba.

Sei que muitos tem medo de falar neste tema, inclusive analistas econômicos, que falam só da crise econômica, mas não falam do que está hoje nas manchetes dos jornais que é a recuperação judicial da Odebrecht.  Ela não é intrinsicamente corrupta, se fosse teria denúncia em todos os setores. Por que não tem denúncia da Odebrecht no setor privado? Então ela não é intrisicamente corrupta, ela teve que se corromper para lidar com o monopólio público. Ela tendo uma empresa de petroquímica o que ela teria que fazer? Não negociar? Avisar aos seus funcionários que eles não iriam receber porque ela não negocia? Estou usando ela, como poderia estar usando qualquer outra”, resume.

Que a coragem de Saad, da família Frias, de Greenwald, de Azevedo, Nassif e de outros empresários e jornalistas contamine o país, para que seja virada esta triste página da nossa história, quando um dos maiores instrumentos da cidadania, o Ministério Público foi cooptado por um narcisista juiz de primeira instância,que deturpou o papel da Justiça e do combate à corrupção, em nome de seus interesses ideológicos e pessoais.

PS: enquanto escrevia neste artigo, a primeira matéria da parceria Folha-Intercept foi pubicada. Confira no link abaixo: