O discurso contra a mudança na aposentadoria dos brasileiros está cada vez mais uníssono: a reforma da Previdência (PEC 06/2019), apresentada pelo Governo, vai impossibilitar que o brasileiro tenha uma aposentadoria digna e justa. E as reuniões para traçar estratégias contra a PEC estão intensas. Nesta terça (19), a líder da minoria da Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), reuniu entidades representativas – entre elas, o Sindilegis –, centrais sindicais e movimentos nacionais para definir estratégias de enfrentamento à reforma da Previdência e à MP 873/19, que enfraquece a atuação sindical.

“Estamos observando muitas iniciativas para dar celeridade ao trâmite da reforma, e ainda há muita contradição no Governo e na base. Vamos trabalhar na obstrução e ganhar mais tempo para o debate, utilizando todos os elementos regimentais possíveis para atrasar a votação”, enfatizou Feghali.

A líder destacou que marcará uma reunião com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, Felipe Francischini (PSL-PR), que deve votar o parecer pela admissibilidade da PEC da reforma a partir do dia 3 de abril. “Vamos tentar coletar o máximo de informações de como ele pretende conduzir a Comissão. Mas não vamos ficar parados. Vamos participar de audiências públicas, fazer requerimentos e realizar intervenções políticas para construir o nosso conteúdo”.

Segundo Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, muitas mentiras são ditas para convencer o povo brasileiro de que o país estaria quebrado; que existiria déficit na Previdência e que o patrimônio teria que ser privatizado:

 

“Em dezembro de 2018, o Brasil possuía R$ 1,27 trilhão no caixa do Tesouro; 1,13 trilhão no Banco Central e US$ 375 bilhões em reservas internacionais. Onde está esse dinheiro? Precisamos entender que crise é essa e qual a justificativa do Governo. Não há justificativa para destruir a Seguridade Social”.

Com base nesses dados, Fattorelli exige auditoria da dívida com participação social, para que os recursos se destinem aos investimentos sociais:

 

“O Governo que privatizar todas as empresas estatais – Petrobras, Banco do Brasil, Caixa – para usar o dinheiro para pagar a chamada dívida pública, que nunca foi auditada e que é repleta de ilegalidades e ilegitimidades”.

Durante a reunião, a diretora parlamentar do Sindilegis, Magda Helena, salientou que o rombo das contas está nos gastos sigilosos com a dívida publica, que beneficia grandes bancos e investidores, e não na Previdência. “É fundamental que haja combate à sonegação, a cobrança dos ricos devedores e o fim das desonerações injustificáveis, isenções e anistias”, resume. (Com informações do Sindlegis).