‘O Comando do Exército aproveitou o feriadão para anunciar que não punirá o general da ativa Eduardo Pazuello pela sua participação nas manifestações promovidas por Bolsonaro no Rio de Janeiro.

De acordo com nota oficial, “o Comandante do Exército analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente pelo referido oficial-general”. O general Pazuello cometeu pelo menos 8 infrações aos códigos militares, segundo especialistas.

Para o Comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira, “não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do general Pazuello.

Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado”. Além do “perdão”, Pazuello foi premiado na última terça-feira com nomeação para a Secretaria de Assuntos Estratégicos, vinculada à Presidência da República.

As duas decisões apontam para a conciliação com a quebra da disciplina e da hierarquia militar e submissão do Exército ao presidente Bolsonaro.

“Não é nenhuma surpresa. Ele foi isso como militar. Ele foi expulso, convidado a se retirar do Exército com quatro anos de serviço. Ele sempre fez isso”, afirmou o ex-ministro Aloizio Mercadante, comentando a crise militar, em entrevista à TV 247.

 

Nos últimos meses, Bolsonaro passou a tratar as forças militares de Estado como “meu Exército”.

“A função deles (do Exército) é a defesa da nação. Um servidor público que, no limite, pode atirar e matar um ser humano, com respaldo das leis, ele tem regras muito rígidas e isso precisa ser rigorosamente respeitado”, advertiu Mercadante. “Se o general pode participar de um ato público, por que não o capitão, o tenente, o sargento, o soldado?”, questiona Mercadante, também presidente da Fundação Perseu Abramo.

 “Não são só as Forças Armadas que têm sua integridade amaçada. São as instituições democráticas. Como ex-ministro da Defesa eu lamento muito, porque eu vi como nós discutíamos as coisas com seriedade quando havia uma objeção séria das Forças Armadas a qualquer coisa tudo era sempre conversado, negociado, eu nunca vi uma coisa assim, uma imposição. Nunca houve isso. Então eu fico muito preocupado, muito triste — Celso Amorim ao GLOBO, nesta quinta-feira.

Para o ex-ministro e chanceler Celso Amorim, a situação criada é de extrema gravidade. “Gravíssima a situação. O Exército é uma instituição do Estado, não do governo. Então, as pessoas ali têm que obedecer a Constituição, a lei e os regulamentos. O que houve, obviamente, foi um desrespeito ao regulamento”, avaliou o chanceler Celso Amorim à revista Carta Capital.

“O risco de ‘que a anarquia se instaure dentro das Forças’ tornou-se visível com o general Pazuello subindo no carro de som de Bolsonaro, mas ele está aí desde 2018, quando o comandante do Exército sugeriu com seu famoso tuíte que o Supremo Tribunal Federal negasse o habeas corpus que impediria a prisão de Lula”, alertou o jornalista Elio Gaspari em artigo na Folha de S. Paulo, na terça-feira, 1º de junho.

Da Redação